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10 de março de 2011

Made For You por Geminus

No centro de uma sala totalmente a branco, fixo nu o que me rodeia. Sou pequeno soldado confiante que fita o seu gigante inimigo.

Sem quebrar, dobro ligeiramente os joelhos em posição de ataque. Mergulho as mãos nas cores e sinto a sua textura escorrer-me entre os dedos. E a forma como palpitam de energia, prontas a explodir-me nas mãos.
Passo os dedos coloridos com força na face e sorrio. Agora sim.

Aguardo a contagem.

Zero.

Giro, desvio-me e golpeio e atiro com toda a força o verde contra a branco pálido da parede, na esperança de que sido um bom começo. Depois, vou brincando com o azul e o amarelo, pintalgando esquizofrenicamente o que há por preencher. Corro contra as paredes e sujo o meu corpo de cores. Giro novamente e brinco às escapadelas. Rebolo, rodo e rebolo sobre mim até que me deixo lânguido a arfar no chão a fixar o tecto de vidro que me mostra o azul do céu vivo brilhante.

Gargalhadas roubam a minha respiração e fazem levantar-me outra vez e saltar para dentro do vermelho. Corro, corro pela sala. Fui ferido na batalha e arrasto agora o sangue fugitivo. Não me escondo.

Refrigerante com gás que pica na garganta.

Desenho com as mãos uma porta vermelha num dos espaços ainda brancos e ponho-lhe uma maçaneta com um beijo. Dou três passos atrás e aguardo resposta. De rompante, saltas explodindo para o interior da sala.

O teu corpo limpo. De mãos na cintura, sorriso ingénuo e face confiante. O teu cabelo por pentear.

Com força, abraças-me e quase tombamos no chão às cores.

Juntas-te a mim na batalha, correndo e girando e pulando em ziguezagues frenéticos de braços abertos e mãos espalmadas. Depressa acabamos por vencer.

Arfamos cumplicemente.

“- Feito! Contigo…”

Sobrou só amarelo e verde. Depressa desenhamos um Sol no tecto de vidro, a completar o céu, sob o qual nos deitamos de braços e pernas e braços abertos.

De mãos dadas.


9 de março de 2011

Race is Long por Geminus

Esta música marcou-me mais pela alegria e pela simbologia que transmitiu. Por tudo o que ao longo destes 10 dias vivemos juntos, que só poderia ser traduzido em felicidade, comunhão. Enfim: sorrisos!
Lembro-me de cada espera desesperante para que mais uma música fosse disponibilizada; o êxtase por fazer o download e os sentimentos ao ouvir os primeiros sons das melodias.
E as últimas notas... As finais, que ditam o silêncio que sucede o fim de cada música… Depois, os sentimentos que começavam a fervilhar em catadupa enquanto escutava música e que explodiam a preencher o vazio que ficava com o seu fim.
Não consigo esquecer a irritação depois da Let it be by me. Foi inevitável começar a resmungar: Mas o que é isto? Mas para quê?! Juro que não entendo! Onde está a VOZ?! (Agora sorrio ao lembrar…)
Vem-me à memória também o The Singles… Toda a confusão de sons, melodias, a letra continuamente a alterar. Alegria, melancolia, alegria, melancolia, alegria! Bom, o Nuno teve um acesso de esquizofrenia?! (E agora sorrio novamente ao conseguir apreciar a beleza de cada tema e ao pensar como daria quase um álbum novo..)
E recordo, sem dúvida, os vários temas que me arrepiaram, me fizeram sentir que valeu a pena a espera. E vocês sabem quais são…
Foi uma longa viagem que fizemos juntos e que partilhámos. Pode parecer o fim, mas a mim cheira-me apenas a início de uma vasta caminhada ainda por percorrer…
Que venha a última




8 de março de 2011

Always Better if You Wait for the Sunrise por Geminus

Silêncio. É noite.

Sou sombra recortada no escuro de uma sala.
Sentado num cadeirão antigo de pele gasta e frio. Fumo o fumo de um cigarro há muito aceso e bafejo nuvens que dançam na contraluz da luz cinza do ecrã da televisão a preto e branco. A emissão terminou faz tempo, mas continuo a olhar fixamente.
Do meu lado esquerdo, uma janela abre-se para o exterior de luzes já apagadas, deserto, e que me traz o cheiro de calor húmido. Choveu há pouco. É para lá que olho, agora que a televisão foi desligada.
Inspiro mais uma vez o fumo do cigarro, ainda a fixar a rua. Sinto-me leve e quente.
Há um frufru repentino a meus pés.
Reparo que jazes a meus pés, ainda no mesmo sítio. O teu corpo nu adormecido, apenas coberto pelo manto branco, suave em que te envolvi.
Apago o cigarro.
Enrolo-me sobre mim e continuo a fixar a tua imagem até que me deixo cair no sono.
Sei o que sonhas e sonho contigo.





7 de março de 2011

Primavera por Geminus

Ouço a música uma primeira vez e sabe-me a pouco. Talvez por dois motivos: por ser a música em Português (tinha alguma expectativa, apesar de não sentir necessidade de que houvesse uma música na nossa língua); e pela forma como começa.
Mas, na verdade, confesso que o refrão se me tornou completamente irónico.
Passei as horas seguintes a cantarolar “Hei-de te amar…”
Como se no meio de toda a ambiência a, voz lançasse um feitiço inquebrável que me levasse a, inevitavelmente, a ter de amar a música um dia...





6 de março de 2011

Aquatica por Geminus

Há um caminho ondulante e luminoso por onde empurrados pelas correntes somos levados. Com a ajuda da voz que nos transporta levemente e ao de leve nos ajuda.
O caminho é incerto e faz de nós um ser débil. Inconscientemente, deixamo-nos levar aos embates, mas com a esperança que após a capitulação, amorfos, sejamos levados à Arcádia.

Quero.
Houve sargaço e lodo que ocultou o fio de ouro que nos dá a vida, mas com a chuva salgada corrosiva e cristalizante voltou a luz que guia os seres no êxodo e lhes renova a vida. Qual Fénix de mar, que mergulha e me conforta.

Pega no búzio, ouve a minha voz.
A cruzada que me personifica a viagem, que me carregou rumo a esta ilha, de onde não quero sair, mesmo que me mate a folia. O sentimento de querer combater junto a ti é mais forte.
Caminhei sozinho, por vales e rios, transportando uma adaga de sangue e o suor. Suor, que como aquilo que jorra de ti é salgado.

Jubileu.
A Musa, agora entorpecida, carrega sempre um prazer na complacência do transporte, que ergue junto ao som que emite. No som da baleia que percorre ondulante, a par da luz ténue, clara, perfurante, o teu mar…

Vem nadar comigo.
Mescla colorida em cascata que escorre pelas minhas mãos a caminhos de ti, casulo de preocupação. De cuidado.
Coloco em ti o meu padrão de cada vez que te visito, cruzando o caminho que nos cruza.

Abraça-me.




5 de março de 2011

Suit Full of Colours por Geminus

Estou sentado isolado no canto perdido de um quarto escuro e frio. Abraço os meus joelhos e escondo a cabeça. Começo a escutar um sussurro familiar que vai crescendo. Mais claro e mais forte. Um arrepio que me faz sentir aconchegado e me traz lembranças antigas, como se fossem braços de algodão puro a cobrir-me. São as asas de um anjo que me acolhem, me tornam leve como as suas penas e ajudam a flutuar. Mãe, cheiram a ti. E acolhem-me…
Encolhido sobre mim mesmo, volto a estar dentro de ti como nunca mais tinha estado. Protegido no teu calor, ouço o bater do teu coração perto de mim e sei que já não estou sozinho, pois tenho o teu mundo.




4 de março de 2011

Let It be by Me por Geminus

É só uma questão de me faltar novamente a voz da Sónia para que tudo voltasse a ser perfeito. Cru não é necessariamente sinónimo de vozes constantemente indefinidas. Não é razão para esconder a voz que tantas vezes é cobiçada.

Desculpem o meu egoísmo, mas hoje vou sentar-me no canto à espera de ouvir o chamamento da vossa voz…




3 de março de 2011

My Sun por Geminus

Um raio de sol animado abre a melodia e promessas felizes de vários dias começam em catadupa. É uma música amarelo alegre. Sol. Sem dúvida. Mas…
… cheira muito a The Arcade Fire, banda que conheço e aprecio bastante, mas que não é aquilo que espero ouvir dos The Gift, pois já têm o seu espaço.
Confesso que tenho vontade (MUITA) de ouvir a textura da voz da Sónia, que tanta personalidade atribui às músicas e que as torna únicas e diferentes de todas as outras que sejam feitas por aí. Sinto mesmo muita falta e especialmente neste tema.
Confesso que até agora esta terá sido a música em que mais senti a diferença daquilo que eram… Porque em todas as outras se conseguia, ao longo da melodia, identificar aquilo a partir do qual evoluíram, alguns tiques da banda…
A My Sun, por outro lado, apesar de ser uma música de que gosto, dá-me a sensação que poderia ter sido feita por uma outra qualquer banda...
E se é verdade que a evolução é o que mexe o mundo, não devemos esquecer-nos nunca de onde evoluímos e não perder a nossa marca, o espaço que já conquistámos.
Muitas vezes é a alma que nos diferencia dos outros…





2 de março de 2011

Mermaid Song por Geminus

Numa sala vazia negra és um ponto branco brilhante crescente no centro, como se tivesses roubado toda a luz deste espaço. Qual bailarina numa caixa de música, giras e rodopias a encantar-me com a tua graça desajeitada, mas perfeita. Dás passos para mim e retrocedes em jeito de provocação. E sorris, de braços abertos e ondulantes, convidativos. Invisível, deixo envolver-me na tua dança e permito que os teus braços de mármore abracem o meu corpo, para que te acompanhe…

O preto e o branco têm lugar num álbum a cores. E sabe tão bem…






1 de março de 2011

The Singles por Geminus

Que belo início. Que ritmo alucinante que me arranca um sorriso... Mas acaba por ir desvanecendo.

É verdade que é inegável a qualidade do tema, mas para mim trata-se de uma música demasiado longa e algo confusa, que poderia facilmente ser esquartejada e originar singles geniais. A junção torna-se em demasia e acaba por não se apreciar a beleza das melodias “individuais”…

Acho que precisava mesmo de amadurecer.



28 de fevereiro de 2011

RGB por Geminus

uma cidade à noite.


eu e tu. os carros cruzam-se com o nosso, ao ritmo dos sons que nos entram nos ouvidos e nos projectam numa corrida frenética de luzes fluorescentes. Red. Green. Blue.

um acesso de loucura que nos leva a quebrar as barreiras da velocidade. Passar sinais vermelhos, confundir luzes com flechas que atravessam os nossos olhos e pintam a noite. Sentir o coração bater mais forte, da adrenalina pronta a explodir nas nossas veias. O quebrarmos barreiras, ir mais longe com um sorriso completo. O respirar sôfrego e a força do sangue que nos impele e quer mais.

eu e tu. would you die for me?