8 de março de 2011

Always Better if You Wait for the Sunrise por AndréGift

O primeiro aspecto que noto nesta música é que a letra é extensa - "Always better if you wait for the sunrise", mas o que está em causa é a melodia, não o título. Há muitas referências que me soam nesta canção: o ínicio cheira-me a Bjork, há um aspecto mais calmo que me faz lembrar Rodrigo Leão e, espantem-me, até Moonspell (nesta recente digressão acústica), numa parte de piano e guitarra...De uma maneira geral gosto da "Always better if you wait for the sunrise", da diferente força que a voz da Sónia toma ao longo de 8:23 minutos, ao início quase imperceptível, mas que vai crescendo até se afirmar como uma excelente cantora (dúvidas nunca existiram). Não sei bem porquê, mas associo esta música à "So free", desde o primeiro momento que tive contacto com ela...
Não é a melhor deste disco, mas no fim da minha selecção também não fica...
No último dia farei uma lista com as melhores e piores. Até amanhã meus caros.




Always Better if You Wait for the Sunrise por Crisanto

Comecei a ouvir Gift em 2001, foram-me apresentados por uma grande amiga minha que por sinal casa-se para o mês que vem. Nos nossos jantares de universitários de pouco dinheiro, onde a massa com atum era prato habitual, vinyl e film era a banda sonora que passava em loop. A coisa tornou-se tão viciante que passou quase a culto naquele meio de universitários depressivamente felizes. Lembro-me com muita saudade destes tempos.
A ida dos Gift à antiga fábrica de olaria em Aveiro era um verdadeiro acontecimento para nós. Lembro-me bem da caminhada nervosa para o anfiteatro, ficámos bem lá à frente e a sala estava cheia. Não me lembro de grandes pormenores do concerto mas lembro-me bem de dançar que nem um tolo. Naquela altura ainda o Nuno punha música depois dos espectáculos.






O universo de dos Gift foi invadindo o meu espaço, músicas, sons, pessoas….Percorri o caminho com eles e eles percorreram-no comigo. Cada um tem a sua história com eles, cada um devia escrever a sua história em algum sítio para não esquecer como foi.
O tempo é outro, nós somos outros. Somos aquilo que aprendemos durante estes anos. Esta musica é bem o exemplo que não vale a pena olhar para traz. É das coisas mais bonitas que ouvi até hoje…..
Reparem que falo pouco no meu texto da musica propriamente dita. Tenho dificuldade em pôr por palavras a beleza e a genialidade que é “Always Better if you wait for the Sunrise ”.
O maior elogio que posso dar é este:
-Das 2 primeiras pessoas que falei depois de a terem ouvido, a primeira chorou e até agora não conseguiu ouvi-la novamente, a segunda nem conseguiu chegar a meio, colocou no stop.

Eu, confesso, esta tirou-me tudo aquilo que eu tinha.

Always Better if You Wait for the Sunrise por Even_Flow

The same old song

É estranho como é difícil explicar o que não está, o que nos faz falta, de tão sensorial e abstracto que é e de repente, esse algo aparece, tão óbvio, tão claro, tão evidente. Ainda assim tão complicado de espremer em palavras…
Se alguém me pedisse para explicar, afinal, o que é que me faltava neste novo álbum dos Gift, a minha melhor ilustração seria esta música e um “ouves?”.

Segundos antes de carregar no play estava a pensar comigo mesmo que, não obstante haver músicas que me tinham agradado, feito viajar, relaxado e transportado para todo um mundo de experiências sensórias deliciosas, ainda não tinha havido nenhuma música que me tivesse tocado profundamente.
E eis que, qual Alice, a porta que se me abre é, finalmente, aquela que eu mais queria. O meu próprio corpo manifestou-se imediatamente, como que despertado. Foi a primeira vez em todo o álbum que parei o que estava a fazer e me limitei a ouvir a música, a deixar-me invadir, a reencontrar um amor antigo e guardado numa das mil folhas do meu íntimo. A voz da Sónia, em todo o seu expoente, sempre foi para mim hipnotizante, uma espécie de magia sob a qual eu sucumbia, como um íman enfeitiçado. Finalmente senti-a, finalmente cresceu, finalmente explodiu.
Durante toda esta viagem perdi a conta ao número de vezes que ouvi cada uma das músicas, quase até à saturação, até encontrar alguma identificação verdadeira, até se desenhar em mim uma imagem mais detalhada do que o simples conforto da melodia. Esta, ao invés, não a desejo ouvir novamente em breve. Há toda uma digestão interior necessária, uma apropriação.

Não deixa de ser curioso que seja simultaneamente a música mais desesperante e sofrida de todas, a mais repleta de emocionalidade e de dramatização. Curioso, mas não surpreendente. Se eu pensar nos três anteriores álbuns dos Gift, não tenho qualquer dúvida na hora de escolher as três músicas que mais me marcaram: dream with someone else’s dream, front of, cube.
É o momento de me questionar sobre o meu «masoquismo» latente. Será que me identifico mais com o lado lunar, como diria o Rui Veloso? Porquê é que num álbum repleto de cores suaves eu só me sinto completa quando me preenchem as mais pesadas? Talvez seja apenas a necessidade do ying e yang. Ou talvez sejam saudades.

E, paradoxalmente, nem sempre a saudade é triste.




Always Better if You Wait for the Sunrise por Jumpman

Quando comecei a ouvir a música, o seu início prendeu-me logo. Uma sonoridade mais "dark", agrada-me. Música ideal para dias cinzentos de instrospecção. Mas ali a partir dos 3 minutos a música perde-me um pouco. O tom mais negro transfigurou-se e isso deixou-me um pouco de pé atrás. Estava a gostar de para onde a música caminhava e me levava e depois parece que houve ali uma completa inversão de marcha.

O que me veio à cabeça sempre que ouvía o refrão, era a imagem de uma banda qualquer gótica ou heavy metal que decidiu criar uma balada e então surgiu isto, uma sonoridade a parecer épica, com a combinação do piano, da bateria, da guitarra e com uma vocalista com um vestido negro comprido que tem uma performance onde tenta passar a ideia de urgência e "desespero", típica de refrões do género. Atenção, não tenho nada contra esse tipo de sonoridade ou ideia, mas não me agarrou nesta música, não houve o "click". Por mim, a música dividia-se em duas distintas, a parte mais negra e a outra mais "normal".

Não consigo ainda decidir se gosto ou não. Uma parte agarrou-me, outra nem por isso. Vou dar-lhe outra hipótese. Estou com vontade de fazer isso. Não sei porquê.





Always Better if You Wait for the Sunrise por Keep Breathing

Este era um álbum cheio de cores… Que ia romper com o passado… E ser menos épico… E mais umas coisas... E, de repente, parece que não é bem assim. E ainda bem.
Um álbum com esta “Always Better if You Wait for the Sunrise” nunca seria um álbum colorido. E ainda bem. Um álbum com esta música não corta com o passado, pelo contrário, é completamente The Gift. E ainda bem.

Esta música não explode. E ainda bem. Esta música não nos enche de alegria. E ainda bem. Esta música não emana luz. E ainda bem. Esta música não nos faz acreditar no amor, nem na felicidade. E ainda bem. Esta música enche-nos a alma, porque já todos vimos amores partirem, porque já todos fomos as pessoas mais infelizes do mundo, porque já todos nos afundámos na tristeza mais profunda. E ainda bem. Esta música está viva, porque nós estamos vivos.

E este álbum pode viver só por esta música. E ainda bem. Finalmente.



Always Better if You Wait for the Sunrise por LaFolie

A cor do silêncio



“Os factos são sonoros. O que importa são os silêncios por trás deles.”
Clarice Lispector


Hoje só vos vou falar do silêncio. O silêncio que vivi após ter ouvido esta música.
Hoje começo pelo fim.

Ouvi a “Always Better if You Wait for the Sunrise”. Fiz pausa em mim durante pelo menos 10 minutos, fiquei calada, deixei esse silêncio invadir-me. Está tudo no meu silêncio. É nos silêncios que tudo se diz. Esta música fez sair tudo aquilo que eu tenho de triste, de sombrio em mim. Como cada um de vocês, tenho os meus segredos, os meus sofrimentos interiores, a minha cruz. Esses fantasmas que teimam em sair de vez em quando, esses medos que nos perseguem a vida toda, essa dor que não nos larga, essas lutas interiores que temos diariamente com nós próprios. Todos temos essa parte negra em nós, o mais difícil é viver com ela. A única salvação é tentar domina-la, é neste processo que nos construímos e tornamo-nos mais fortes. O ser humano será sempre complexo e incompreensível. Respeito tanto a minha parte negra como a dos outros, escondendo-se ela nos nossos silêncios.
É não ter medo dela.

Tudo isto, tudo o que não consigo dizer saiu com esta música. Estava tudo no meu silêncio. Estava mesmo. Libertei tudo. É no silêncio que está tudo aquilo que importa.

Nota: Se quiserem saber exactamente o que senti sobre a “Always Better if You Wait for the Sunrise” basta ouvir este meu silêncio. Tentem, está tudo lá.



Always Better if You Wait for the Sunrise por SoFree

Ainda estou nos últimos minutos da música, mas já o disse. É a música mais "Film" do "Explode". Apesar da introdução me fazer lembrar da "Concret", o mood desta música é o Film. Uma voz imponente. Um tom de superioridade, mas também de humildade. Uma voz sentida, sentida como não se sentia desde...

The Gift.

Ai, como vou odiar ouvir esta música ao vivo.... quando começar toda a gente a bater palminhas a meio da música porque não conhecem e pensam que já acabou. Odeio isso. E adoro esta música, por isso vou odiar ainda mais que o façam. Fica já aqui o meu rant para os concertos, porque é o que mais quero ouvir. Posso ter um mini-concerto só para mim, só para esta música?

Como este Explode acabou por ser uma caixinha de surpresas. Faltam apenas duas peças para completar o puzzle. Sempre olhei para aquele "2" com imensa curiosidade, e cada vez mais. Agora também o "10" me deixa curioso. Já estava eu convencido que tinha o top 3 deste álbum escolhido. How silly of me. É engraçado que, agora que já me habituei à "Suit Full of Colours", surge esta "Always Better if You Wait for the Sunrise" para me lembrar da diferença entre os The Gift que eu gosto e os The Gift que adoro.

Só quero falar desta música... É isto que quero ouvir esta noite, de olhos fechados, antes de adormecer. Adoro que a música seja feita à base de silêncios. E da poderosíssima voz da Sónia. Quero abraçar como esta música me abraça. E como o tempo passa depressa quando a ouço...
Como eu quero partilhar esta música com toda a gente e, ao mesmo tempo, esconder num lugar que só eu conheça.

E, bolas. Cheira-me que hoje todos gostaram da música. Logo hoje, que a quero só para mim...



7 de março de 2011

Primavera por Crisanto

É Carnaval ninguém leva a mal.

Estou numa posição algo complicada. Ontem por ter estado a trabalhar até bem tarde não consegui entregar o meu texto a tempo e a horas.

Li a opinião de todos, e ouvi já a antepenúltima musica, e provavelmente vou ser influenciado, mas a opinião já estava firmemente formada logo na primeira audição.

Falando sem rodeios nem meia palavras, esta música não vai para o meu ipod. Primeiro lembrança foi o Digital Atmosphere . Parece que entrei na Cápsula Temporal do Dr. Who, uma série de culto que passa à mais de 20 anos em Inglaterra. Série essa que baseia-se no Nonsense, sim isso mesmo, nonsense porque para mim esta música faz tanto sentido como a “my Sun” faria no Digital Atmosphere. A música arrepiou-me mas a sensação não foi agradável. Se calhar o maior mérito que tem é irritar-me. Irritação é um sentimento? Bom, se calhar puxou-me um bocadinho ao sentimento. Alguém andou a tomar alucinogénicos e não fui eu, ou fui? Já não me lembro.

Este álbum realmente tem de tudo, mesmo. Goste-se ou não se goste de Gift nunca poderão ser acusados neste momento de falta de originalidade e vontade de se reinventarem (palavra que persegue músicos em cada novo álbum). Será injusto falar de uma forma tão crua e agressiva sobre uma música que provavelmente deu muito trabalho, noites mal dormidas?

Não sei compor musica, não sei escrever poesia, não sei pintar. Não percebo de pianos, nem de sintetizadores. Tenho uma voz horrível, e nunca fui especialmente hábil a escrever composições na escola. Não vou a museus, leio pouco e os filmes que vejo nenhum deles foi realizado pelo Manoel de Oliveira.

Sem tudo isto sobra-me apenas uma coisa: Honestidade.




Primavera por Mariana Oliveira





Primavera por Jumpman

Entre a "The Singles" e a "Aquatica", existe ali qualquer coisa no alinhamento. Não sei bem o que é. Só sei que não gosto.

Por momentos lembrei-me das sonoridades portuguesas dos anos 80. Das más sonoridades.

Posso-me ficar pelo Inverno?




Primavera por SoFree




Uma das primeiras músicas anunciadas do álbum, o tema em Português "Primavera", chega finalmente aos meus ouvidos. Gosto da sonoridade retro. Tem estado presente em bastantes músicas do Explode – na própria música de abertura, até – e aqui se pronuncia uma vez mais. Faz-me lembrar Rádio Macau. Não que isso seja mau, é uma banda que até considero bastante agradável e injustamente reduzida a um single que fez imenso sucesso mas nem era assim grande coisa.

Ia dizer novamente que gostei imenso da sonoridade retro desta música, vinda do tempo em que se achava que o futuro ia ser uma coisa que não tem nada a ver com o que é hoje. Mas o mais importante daqui é a letra, aquilo que a música transmite...

Apercebo-me hoje de como partilhar estas primeiras reacções às músicas é realmente algo muito mais pessoal do que pareceria à primeira vista. Por esta altura, consigo imaginar quem gostou mais, menos ou nada. E dizer que me consigo rever nesta música, quando tinha uma série de ingredientes para que eu não gostasse, é partilhar algo muito pessoal. Mas ouvir esta música levou-me a imaginar que morava em Alfama, numa daquelas casinhas coloridas com vasos nas janelas. É um cenário pitoresco que muitas vezes não acreditamos ser possível que exista em Lisboa. E esta é uma música pitoresca no seio de todo o ambiente digital retro-futurista que rodeia o seu coração.

A verdade é que algo me desarmou nesta música.





Primavera por Marcos

(Deparei-me, aqui e ali, com a existência de uma certa expectativa relativamente a este tema. O facto de ter sido ‘rotulado’ como ‘a canção cantada em português’ deu azo a alguma especulação, especialmente nas redes sociais, provocada, quiçá, pelo sucesso do hit “Fácil de Entender”. Para ser sincero, isso a mim tanto me aquece como me arrefece, como se costuma dizer. O facto de se chamar “Primavera” ou “Spring” é, quanto a mim, uma questão meramente estética. Não é o ‘rótulo’ que me cria, ou não, expectativa em relação a este, ou qualquer outro, tema.)

Fechado este parêntesis, inicio a minha reflexão sobre “Primavera”...

Permitam-me abrir só mais um parêntesis: (Quem estava à espera que “Primavera” fosse um remake de “Fácil de Entender”, desengane-se!)

Continuando, então.

Primeira reacção: surpresa. A sonoridade de “Primavera” é surpreendente. Por momentos, sinto-me regressar ao “Digital Atmosphere”. Um regresso às origens, aos primórdios. A inocência, a ingenuidade, a pureza do início. Sinto-me em casa.

Segunda reacção: soa-me aos anos 80. Não sei explicá-lo mas, no entanto, sinto-o. Faz-me lembrar, por momentos, Rádio Macau. (Não interpretem isto como uma critica. É apenas uma afirmação sem qualquer juízo de valor associado.) Também não sei explicar porquê. Os magníficos anos 80.

(Deixo de enumerar as reacções. Descrevo-as, apenas.)

O poema é simples. As palavras fazem sentido. Não é preciso complicar. Já ontem o disse e repito: as coisas simples também são bonitas.

Entretanto, o alinhamento do álbum revela-se. As coisas fazem, cada vez mais, sentido. Considero que ouvir canções de modo avulso, torna-se, por vezes, um pouco redutor. Torno a ouvi-las, uma e outra vez, e a cada audição conheço-as cada vez melhor. Deixo-as entrar. Deixo-as entrar em minha casa. “Sejam bem-vindas!” A sucessão dos temas, no álbum, faz todo o sentido. Agora reconheço uma “Aquatica” diferente de ontem, por exemplo. Hoje é mais familiar.

Já só faltam 4 dias, 4 músicas, 4 textos...



Primavera por Even_Flow

Fiquei subitamente dividida entre as saudades do inverno e os desejos do verão.



Primavera por LaFolie

A vida é feita de lutas, e ouvi dizer que luta é alegria.

“A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.”
Oscar Wilde

Isto não se faz a uma pessoa como eu, sensível. Eu não faço mal a ninguém, a sério. Porque é que que os The Gift metem-me nesta posição tão desconfortável. Deve haver qualquer coisa que não percebi nesta música.

Primeira reacção: bem, é melhor não dizer. Por ser tão diferente, aqui tenho mesmo que ouvir melhor. Não é uma música fácil, não é não. Não me perguntem porquê mas no inicio pensei: Sétima Legião. Pedro Oliveira, sai desse corpo ! Música portuguesa dos anos 80 não entra nesta casa!

Os The Gift estão a desafiar-me. Eu sei. Ah, mas não vão ganhar tão facilmente, ah pois não! Esta lá tudo para eu não gostar. Ah se está, e bem presente. Querem que desista logo à primeira? Eu também dou luta!

Queriam que eu não gostasse, não é? Olha, enganaram-se. Gosto!




Primavera por Geminus

Ouço a música uma primeira vez e sabe-me a pouco. Talvez por dois motivos: por ser a música em Português (tinha alguma expectativa, apesar de não sentir necessidade de que houvesse uma música na nossa língua); e pela forma como começa.
Mas, na verdade, confesso que o refrão se me tornou completamente irónico.
Passei as horas seguintes a cantarolar “Hei-de te amar…”
Como se no meio de toda a ambiência a, voz lançasse um feitiço inquebrável que me levasse a, inevitavelmente, a ter de amar a música um dia...





Primavera por Cube

Há alguns anos atrás, a Manuela Azevedo comentava numa entrevista, a um periódico qualquer que agora não me recordo, que os portugueses podiam continuar a ouvir música em inglês, francês ou qualquer outra língua, mas era em português que nós continuávamos a SENTIR.
Hoje escutei, talvez, a primeira música (de uma banda, que quem me conhece, sabe que gosto deles de sobremaneira e que, apesar de não concordar com todas as suas ideias, continuo a escutá-los, a segui-los, a dar-lhes atenção) que me deixou completamente com cara de what the f? E não, se fosse cantada em inglês, também não me parece que mudaria muito a minha expressão facial.
Não consigo pegar-lhe, por muito que queira; até gosto da melodia mas não dá para aguentar o tom Sónia on diazepam (que me fez lembrar a colaboração escabrosa na banda sonora do Rádio Relâmpago) e os teclados que parecem vindos das lojas dos chineses. Não dá.

Ps: já tinha eu preparado um trecho do Rite of Spring e uma foto de uma amendoeira em flor do parque cá do burgo para este tema, quando me deparo com esta primavera. Touché.




Primavera por Keep Breathing

Embora prefira os The Gift cantados em inglês, gosto bastante de ouvir a Sónia cantar em português – confesso que este foi um dos grandes efeitos dos “Amália Hoje”, mais até do que da “Fácil de Entender”. E gosto desta “Primavera”. Gosto muito do ritmo, gosto da forma como a Sónia pronuncia cada sílaba. É bom ouvir esta voz com tanta clareza. Só tenho pena que o refrão não seja mais combativo… Quer dizer, esperava um apogeu mais claro depois de uma ascensão tão bem engendrada. E um apogeu mais provocador seria também mais condicente com o título – digo eu, que na primavera me sinto sempre mais apaixonada…
E também fiquei com pena do final abrupto… É possível ver uma certa ligação entre este fim repentino e o início da “Aquatica”, a música que se segue. Mas, ainda assim, há um corte súbito… E já vos disse que não gosto de mudanças súbitas, não já? Na música, como na vida…

Com esta “Primavera”, podemos, além disso, ouvir sete músicas seguidas, exactamente como vão constar do álbum. Isso, para mim, foi o mais importante: começar na música nº 3 e terminar na nº 9, ouvindo-as encadeadas. E, finalmente, tudo isto começa a fazer algum sentido! O que prova, como eu dizia ontem, que um álbum (um bom álbum) é mesmo um álbum, é um conjunto coerente e não uma série de músicas desgarradas e desconexas. E o que é engraçado é que este conjunto que compõe o “Explode” parece-me ficar muito mais congruente ouvido pela ordem escolhida para o álbum e não tanto ouvido pela ordem que tem sido seleccionada durante estes dias. Porque terão decidido enviar-nos as músicas segundo uma sequência diferente? Agora interrogo-me mais sobre isto do que no início…

E que sentido faz este “Explode”, então? Ah, sobre isso só me vou pronunciar depois de ouvidas as 11 músicas. Mas percebe-se que já que, afinal, não houve uma decisão clara de abafar a voz da Sónia, ao contrário do que as primeiras músicas enviadas indiciavam, não houve uma viragem taxativa para as guitarras e para os sons eléctricos, como tanto se apregoava, não é um álbum tão colorido como pensávamos, continuando a ter as zonas de sombra de que eu tanto gosto… E tudo isto são boas notícias!



Primavera por AndréGift

As expectativas sobre "Primavera" eram altas. Sabia que seria um tema cantado em português e depois do êxito que teve a "Fácil de Entender", a expectativa era grande. Se, neste período, houve músicas em que pensei não estar a ouvir The Gift (por boas razões), desta vez pensei o mesmo, mas por motivos diferentes maus). Desde já digo, e peço desculpa pela franqueza, que a música me soa a algo pimba (apesar de este ser um conceito vasto), não gosto da letra (Sábado à noite, não sou tão só, somente só...!!!!!!), mas talvez por ser em Português. E o som do piano também não me diz nada. O única aspecto que nem desgosto totalmente é o refrão...mas mesmo assim, fico a pensar em cantores/grupos nacionais que é melhor nem destacar... Não gostei desta "Primavera".

Até ao momento é a única que me passa ao lado. Fiquei um pouco desiludido, mas é apenas uma música, e uma em 9 não faz diferença nenhuma. Ainda faltam duas. Venham elas...



6 de março de 2011

Aquatica por Geminus

Há um caminho ondulante e luminoso por onde empurrados pelas correntes somos levados. Com a ajuda da voz que nos transporta levemente e ao de leve nos ajuda.
O caminho é incerto e faz de nós um ser débil. Inconscientemente, deixamo-nos levar aos embates, mas com a esperança que após a capitulação, amorfos, sejamos levados à Arcádia.

Quero.
Houve sargaço e lodo que ocultou o fio de ouro que nos dá a vida, mas com a chuva salgada corrosiva e cristalizante voltou a luz que guia os seres no êxodo e lhes renova a vida. Qual Fénix de mar, que mergulha e me conforta.

Pega no búzio, ouve a minha voz.
A cruzada que me personifica a viagem, que me carregou rumo a esta ilha, de onde não quero sair, mesmo que me mate a folia. O sentimento de querer combater junto a ti é mais forte.
Caminhei sozinho, por vales e rios, transportando uma adaga de sangue e o suor. Suor, que como aquilo que jorra de ti é salgado.

Jubileu.
A Musa, agora entorpecida, carrega sempre um prazer na complacência do transporte, que ergue junto ao som que emite. No som da baleia que percorre ondulante, a par da luz ténue, clara, perfurante, o teu mar…

Vem nadar comigo.
Mescla colorida em cascata que escorre pelas minhas mãos a caminhos de ti, casulo de preocupação. De cuidado.
Coloco em ti o meu padrão de cada vez que te visito, cruzando o caminho que nos cruza.

Abraça-me.




Aquatica por Even_Flow

Cores claras, suaves, esbatidas. Pouco contraste, uma espécie de névoa, de bruma, mas quente. Carrosséis esboçados, como que a flutuar entre o sonho e a memória. Descobertas envolvidas em risos, pés descalços. Perucas, rendas, um mar de confettis, sardas de fantasia. Sorrisos pintalgados, numa mistura de algodão-doce e entusiasmo. Sótãos escuros, arrepios, mãos dadas. Pedaços de relva, pescoços transpirados, risos que explodem tanto que dobram os estômagos e cortam a respiração. Melodias desconexas, representações, planos perdidos em folhas de papel. Antecipação, embrulhos luminosos, laços, sopros intermináveis. Olhares transparentes, toques de cetim, certezas subtis.
Mergulhos no infinito, ondas de inocência.