8 de março de 2011

Always Better if You Wait for the Sunrise por Cube

I wanna hold you once again

Por esta altura já não deve ser novidade que os meus gostos pendem para temas em que o amor é escrutinado e alvo de embrulhos sonoros complexos; e o título deste tema adivinhava uma coisa ligeira. Felizmente, que tal não se comprovou.
Há dias comentava que era extremamente difícil acrescentar algo de substancial a uma coisa que já se raiava o limite da perfeição; por isso hoje, vou-me abster de comentar o que quer seja e convido todos os que ainda não escutaram este tema, que o escutem. E aqueles que já o fizeram, repitam-no vezes sem conta.

Esta música vai-me acompanhar, e muito, nos próximos meses (que me perdoem os vizinhos pelo loop constante).




Always Better if You Wait for the Sunrise por Marcos

“Always Better If You Wait For The Sunrise” é épica. 8 minutos explosivos, do princípio até ao fim.
Sinto-me um viajante, na proa de um barco, à descoberta do Mundo Novo. Sinto a brisa marítima a acariciar-me o rosto. Fecho os olhos, abro os braços e abraço o infinito. Abraço-te! Sinto o peito cheio de emoções. Emociono-me.
“Always Better If You Wait For The Sunrise” arrebatou-me, logo, na primeira audição. Tornei a ouvi-la, repetidas vezes, e as emoções revelaram-se em catadupa. Uma, outra, e outra explosão. Para tal, contribui, e muito, a voz de Sónia Tavares. Ouvimo-la, aqui, no seu explendor. Ouço-a como a conheço, tal como é. A voz!
Após “Suit Full Of Colours”, é neste tema que sinto, realmente, o extase de emoções de “Explode”. As emoções que me preenchem. As emoções que me fazem sentir. E é exactamente isso que me faz ser um giftiano: sentir!
Este é um dos melhores temas de “Explode” e, seguramente, um dos melhores da carreira dos The Gift. É por temas como este que me emociono tanto com os The Gift. Já o disse antes mas repito-o quantas vezes forem necessárias: Obrigado The Gift! Obrigado por me fazerem sentir!
“Stay with me tonight until the sunrise.” Sim, fica comigo.
O alinhamento de “Explode” fecha com chave de ouro. 5 estrelas para “Always Better If You Wait For The Sunrise”!
Resumindo e concluindo: estou completamente apaixonado por este tema. Não há mais nada a dizer. Isso basta.




Always Better if You Wait for the Sunrise por AndréGift

O primeiro aspecto que noto nesta música é que a letra é extensa - "Always better if you wait for the sunrise", mas o que está em causa é a melodia, não o título. Há muitas referências que me soam nesta canção: o ínicio cheira-me a Bjork, há um aspecto mais calmo que me faz lembrar Rodrigo Leão e, espantem-me, até Moonspell (nesta recente digressão acústica), numa parte de piano e guitarra...De uma maneira geral gosto da "Always better if you wait for the sunrise", da diferente força que a voz da Sónia toma ao longo de 8:23 minutos, ao início quase imperceptível, mas que vai crescendo até se afirmar como uma excelente cantora (dúvidas nunca existiram). Não sei bem porquê, mas associo esta música à "So free", desde o primeiro momento que tive contacto com ela...
Não é a melhor deste disco, mas no fim da minha selecção também não fica...
No último dia farei uma lista com as melhores e piores. Até amanhã meus caros.




Always Better if You Wait for the Sunrise por Crisanto

Comecei a ouvir Gift em 2001, foram-me apresentados por uma grande amiga minha que por sinal casa-se para o mês que vem. Nos nossos jantares de universitários de pouco dinheiro, onde a massa com atum era prato habitual, vinyl e film era a banda sonora que passava em loop. A coisa tornou-se tão viciante que passou quase a culto naquele meio de universitários depressivamente felizes. Lembro-me com muita saudade destes tempos.
A ida dos Gift à antiga fábrica de olaria em Aveiro era um verdadeiro acontecimento para nós. Lembro-me bem da caminhada nervosa para o anfiteatro, ficámos bem lá à frente e a sala estava cheia. Não me lembro de grandes pormenores do concerto mas lembro-me bem de dançar que nem um tolo. Naquela altura ainda o Nuno punha música depois dos espectáculos.






O universo de dos Gift foi invadindo o meu espaço, músicas, sons, pessoas….Percorri o caminho com eles e eles percorreram-no comigo. Cada um tem a sua história com eles, cada um devia escrever a sua história em algum sítio para não esquecer como foi.
O tempo é outro, nós somos outros. Somos aquilo que aprendemos durante estes anos. Esta musica é bem o exemplo que não vale a pena olhar para traz. É das coisas mais bonitas que ouvi até hoje…..
Reparem que falo pouco no meu texto da musica propriamente dita. Tenho dificuldade em pôr por palavras a beleza e a genialidade que é “Always Better if you wait for the Sunrise ”.
O maior elogio que posso dar é este:
-Das 2 primeiras pessoas que falei depois de a terem ouvido, a primeira chorou e até agora não conseguiu ouvi-la novamente, a segunda nem conseguiu chegar a meio, colocou no stop.

Eu, confesso, esta tirou-me tudo aquilo que eu tinha.

Always Better if You Wait for the Sunrise por Even_Flow

The same old song

É estranho como é difícil explicar o que não está, o que nos faz falta, de tão sensorial e abstracto que é e de repente, esse algo aparece, tão óbvio, tão claro, tão evidente. Ainda assim tão complicado de espremer em palavras…
Se alguém me pedisse para explicar, afinal, o que é que me faltava neste novo álbum dos Gift, a minha melhor ilustração seria esta música e um “ouves?”.

Segundos antes de carregar no play estava a pensar comigo mesmo que, não obstante haver músicas que me tinham agradado, feito viajar, relaxado e transportado para todo um mundo de experiências sensórias deliciosas, ainda não tinha havido nenhuma música que me tivesse tocado profundamente.
E eis que, qual Alice, a porta que se me abre é, finalmente, aquela que eu mais queria. O meu próprio corpo manifestou-se imediatamente, como que despertado. Foi a primeira vez em todo o álbum que parei o que estava a fazer e me limitei a ouvir a música, a deixar-me invadir, a reencontrar um amor antigo e guardado numa das mil folhas do meu íntimo. A voz da Sónia, em todo o seu expoente, sempre foi para mim hipnotizante, uma espécie de magia sob a qual eu sucumbia, como um íman enfeitiçado. Finalmente senti-a, finalmente cresceu, finalmente explodiu.
Durante toda esta viagem perdi a conta ao número de vezes que ouvi cada uma das músicas, quase até à saturação, até encontrar alguma identificação verdadeira, até se desenhar em mim uma imagem mais detalhada do que o simples conforto da melodia. Esta, ao invés, não a desejo ouvir novamente em breve. Há toda uma digestão interior necessária, uma apropriação.

Não deixa de ser curioso que seja simultaneamente a música mais desesperante e sofrida de todas, a mais repleta de emocionalidade e de dramatização. Curioso, mas não surpreendente. Se eu pensar nos três anteriores álbuns dos Gift, não tenho qualquer dúvida na hora de escolher as três músicas que mais me marcaram: dream with someone else’s dream, front of, cube.
É o momento de me questionar sobre o meu «masoquismo» latente. Será que me identifico mais com o lado lunar, como diria o Rui Veloso? Porquê é que num álbum repleto de cores suaves eu só me sinto completa quando me preenchem as mais pesadas? Talvez seja apenas a necessidade do ying e yang. Ou talvez sejam saudades.

E, paradoxalmente, nem sempre a saudade é triste.




Always Better if You Wait for the Sunrise por Jumpman

Quando comecei a ouvir a música, o seu início prendeu-me logo. Uma sonoridade mais "dark", agrada-me. Música ideal para dias cinzentos de instrospecção. Mas ali a partir dos 3 minutos a música perde-me um pouco. O tom mais negro transfigurou-se e isso deixou-me um pouco de pé atrás. Estava a gostar de para onde a música caminhava e me levava e depois parece que houve ali uma completa inversão de marcha.

O que me veio à cabeça sempre que ouvía o refrão, era a imagem de uma banda qualquer gótica ou heavy metal que decidiu criar uma balada e então surgiu isto, uma sonoridade a parecer épica, com a combinação do piano, da bateria, da guitarra e com uma vocalista com um vestido negro comprido que tem uma performance onde tenta passar a ideia de urgência e "desespero", típica de refrões do género. Atenção, não tenho nada contra esse tipo de sonoridade ou ideia, mas não me agarrou nesta música, não houve o "click". Por mim, a música dividia-se em duas distintas, a parte mais negra e a outra mais "normal".

Não consigo ainda decidir se gosto ou não. Uma parte agarrou-me, outra nem por isso. Vou dar-lhe outra hipótese. Estou com vontade de fazer isso. Não sei porquê.





Always Better if You Wait for the Sunrise por Keep Breathing

Este era um álbum cheio de cores… Que ia romper com o passado… E ser menos épico… E mais umas coisas... E, de repente, parece que não é bem assim. E ainda bem.
Um álbum com esta “Always Better if You Wait for the Sunrise” nunca seria um álbum colorido. E ainda bem. Um álbum com esta música não corta com o passado, pelo contrário, é completamente The Gift. E ainda bem.

Esta música não explode. E ainda bem. Esta música não nos enche de alegria. E ainda bem. Esta música não emana luz. E ainda bem. Esta música não nos faz acreditar no amor, nem na felicidade. E ainda bem. Esta música enche-nos a alma, porque já todos vimos amores partirem, porque já todos fomos as pessoas mais infelizes do mundo, porque já todos nos afundámos na tristeza mais profunda. E ainda bem. Esta música está viva, porque nós estamos vivos.

E este álbum pode viver só por esta música. E ainda bem. Finalmente.



Always Better if You Wait for the Sunrise por LaFolie

A cor do silêncio



“Os factos são sonoros. O que importa são os silêncios por trás deles.”
Clarice Lispector


Hoje só vos vou falar do silêncio. O silêncio que vivi após ter ouvido esta música.
Hoje começo pelo fim.

Ouvi a “Always Better if You Wait for the Sunrise”. Fiz pausa em mim durante pelo menos 10 minutos, fiquei calada, deixei esse silêncio invadir-me. Está tudo no meu silêncio. É nos silêncios que tudo se diz. Esta música fez sair tudo aquilo que eu tenho de triste, de sombrio em mim. Como cada um de vocês, tenho os meus segredos, os meus sofrimentos interiores, a minha cruz. Esses fantasmas que teimam em sair de vez em quando, esses medos que nos perseguem a vida toda, essa dor que não nos larga, essas lutas interiores que temos diariamente com nós próprios. Todos temos essa parte negra em nós, o mais difícil é viver com ela. A única salvação é tentar domina-la, é neste processo que nos construímos e tornamo-nos mais fortes. O ser humano será sempre complexo e incompreensível. Respeito tanto a minha parte negra como a dos outros, escondendo-se ela nos nossos silêncios.
É não ter medo dela.

Tudo isto, tudo o que não consigo dizer saiu com esta música. Estava tudo no meu silêncio. Estava mesmo. Libertei tudo. É no silêncio que está tudo aquilo que importa.

Nota: Se quiserem saber exactamente o que senti sobre a “Always Better if You Wait for the Sunrise” basta ouvir este meu silêncio. Tentem, está tudo lá.



Always Better if You Wait for the Sunrise por SoFree

Ainda estou nos últimos minutos da música, mas já o disse. É a música mais "Film" do "Explode". Apesar da introdução me fazer lembrar da "Concret", o mood desta música é o Film. Uma voz imponente. Um tom de superioridade, mas também de humildade. Uma voz sentida, sentida como não se sentia desde...

The Gift.

Ai, como vou odiar ouvir esta música ao vivo.... quando começar toda a gente a bater palminhas a meio da música porque não conhecem e pensam que já acabou. Odeio isso. E adoro esta música, por isso vou odiar ainda mais que o façam. Fica já aqui o meu rant para os concertos, porque é o que mais quero ouvir. Posso ter um mini-concerto só para mim, só para esta música?

Como este Explode acabou por ser uma caixinha de surpresas. Faltam apenas duas peças para completar o puzzle. Sempre olhei para aquele "2" com imensa curiosidade, e cada vez mais. Agora também o "10" me deixa curioso. Já estava eu convencido que tinha o top 3 deste álbum escolhido. How silly of me. É engraçado que, agora que já me habituei à "Suit Full of Colours", surge esta "Always Better if You Wait for the Sunrise" para me lembrar da diferença entre os The Gift que eu gosto e os The Gift que adoro.

Só quero falar desta música... É isto que quero ouvir esta noite, de olhos fechados, antes de adormecer. Adoro que a música seja feita à base de silêncios. E da poderosíssima voz da Sónia. Quero abraçar como esta música me abraça. E como o tempo passa depressa quando a ouço...
Como eu quero partilhar esta música com toda a gente e, ao mesmo tempo, esconder num lugar que só eu conheça.

E, bolas. Cheira-me que hoje todos gostaram da música. Logo hoje, que a quero só para mim...



7 de março de 2011

Primavera por Crisanto

É Carnaval ninguém leva a mal.

Estou numa posição algo complicada. Ontem por ter estado a trabalhar até bem tarde não consegui entregar o meu texto a tempo e a horas.

Li a opinião de todos, e ouvi já a antepenúltima musica, e provavelmente vou ser influenciado, mas a opinião já estava firmemente formada logo na primeira audição.

Falando sem rodeios nem meia palavras, esta música não vai para o meu ipod. Primeiro lembrança foi o Digital Atmosphere . Parece que entrei na Cápsula Temporal do Dr. Who, uma série de culto que passa à mais de 20 anos em Inglaterra. Série essa que baseia-se no Nonsense, sim isso mesmo, nonsense porque para mim esta música faz tanto sentido como a “my Sun” faria no Digital Atmosphere. A música arrepiou-me mas a sensação não foi agradável. Se calhar o maior mérito que tem é irritar-me. Irritação é um sentimento? Bom, se calhar puxou-me um bocadinho ao sentimento. Alguém andou a tomar alucinogénicos e não fui eu, ou fui? Já não me lembro.

Este álbum realmente tem de tudo, mesmo. Goste-se ou não se goste de Gift nunca poderão ser acusados neste momento de falta de originalidade e vontade de se reinventarem (palavra que persegue músicos em cada novo álbum). Será injusto falar de uma forma tão crua e agressiva sobre uma música que provavelmente deu muito trabalho, noites mal dormidas?

Não sei compor musica, não sei escrever poesia, não sei pintar. Não percebo de pianos, nem de sintetizadores. Tenho uma voz horrível, e nunca fui especialmente hábil a escrever composições na escola. Não vou a museus, leio pouco e os filmes que vejo nenhum deles foi realizado pelo Manoel de Oliveira.

Sem tudo isto sobra-me apenas uma coisa: Honestidade.




Primavera por Mariana Oliveira





Primavera por Jumpman

Entre a "The Singles" e a "Aquatica", existe ali qualquer coisa no alinhamento. Não sei bem o que é. Só sei que não gosto.

Por momentos lembrei-me das sonoridades portuguesas dos anos 80. Das más sonoridades.

Posso-me ficar pelo Inverno?




Primavera por SoFree




Uma das primeiras músicas anunciadas do álbum, o tema em Português "Primavera", chega finalmente aos meus ouvidos. Gosto da sonoridade retro. Tem estado presente em bastantes músicas do Explode – na própria música de abertura, até – e aqui se pronuncia uma vez mais. Faz-me lembrar Rádio Macau. Não que isso seja mau, é uma banda que até considero bastante agradável e injustamente reduzida a um single que fez imenso sucesso mas nem era assim grande coisa.

Ia dizer novamente que gostei imenso da sonoridade retro desta música, vinda do tempo em que se achava que o futuro ia ser uma coisa que não tem nada a ver com o que é hoje. Mas o mais importante daqui é a letra, aquilo que a música transmite...

Apercebo-me hoje de como partilhar estas primeiras reacções às músicas é realmente algo muito mais pessoal do que pareceria à primeira vista. Por esta altura, consigo imaginar quem gostou mais, menos ou nada. E dizer que me consigo rever nesta música, quando tinha uma série de ingredientes para que eu não gostasse, é partilhar algo muito pessoal. Mas ouvir esta música levou-me a imaginar que morava em Alfama, numa daquelas casinhas coloridas com vasos nas janelas. É um cenário pitoresco que muitas vezes não acreditamos ser possível que exista em Lisboa. E esta é uma música pitoresca no seio de todo o ambiente digital retro-futurista que rodeia o seu coração.

A verdade é que algo me desarmou nesta música.





Primavera por Marcos

(Deparei-me, aqui e ali, com a existência de uma certa expectativa relativamente a este tema. O facto de ter sido ‘rotulado’ como ‘a canção cantada em português’ deu azo a alguma especulação, especialmente nas redes sociais, provocada, quiçá, pelo sucesso do hit “Fácil de Entender”. Para ser sincero, isso a mim tanto me aquece como me arrefece, como se costuma dizer. O facto de se chamar “Primavera” ou “Spring” é, quanto a mim, uma questão meramente estética. Não é o ‘rótulo’ que me cria, ou não, expectativa em relação a este, ou qualquer outro, tema.)

Fechado este parêntesis, inicio a minha reflexão sobre “Primavera”...

Permitam-me abrir só mais um parêntesis: (Quem estava à espera que “Primavera” fosse um remake de “Fácil de Entender”, desengane-se!)

Continuando, então.

Primeira reacção: surpresa. A sonoridade de “Primavera” é surpreendente. Por momentos, sinto-me regressar ao “Digital Atmosphere”. Um regresso às origens, aos primórdios. A inocência, a ingenuidade, a pureza do início. Sinto-me em casa.

Segunda reacção: soa-me aos anos 80. Não sei explicá-lo mas, no entanto, sinto-o. Faz-me lembrar, por momentos, Rádio Macau. (Não interpretem isto como uma critica. É apenas uma afirmação sem qualquer juízo de valor associado.) Também não sei explicar porquê. Os magníficos anos 80.

(Deixo de enumerar as reacções. Descrevo-as, apenas.)

O poema é simples. As palavras fazem sentido. Não é preciso complicar. Já ontem o disse e repito: as coisas simples também são bonitas.

Entretanto, o alinhamento do álbum revela-se. As coisas fazem, cada vez mais, sentido. Considero que ouvir canções de modo avulso, torna-se, por vezes, um pouco redutor. Torno a ouvi-las, uma e outra vez, e a cada audição conheço-as cada vez melhor. Deixo-as entrar. Deixo-as entrar em minha casa. “Sejam bem-vindas!” A sucessão dos temas, no álbum, faz todo o sentido. Agora reconheço uma “Aquatica” diferente de ontem, por exemplo. Hoje é mais familiar.

Já só faltam 4 dias, 4 músicas, 4 textos...



Primavera por Even_Flow

Fiquei subitamente dividida entre as saudades do inverno e os desejos do verão.



Primavera por LaFolie

A vida é feita de lutas, e ouvi dizer que luta é alegria.

“A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.”
Oscar Wilde

Isto não se faz a uma pessoa como eu, sensível. Eu não faço mal a ninguém, a sério. Porque é que que os The Gift metem-me nesta posição tão desconfortável. Deve haver qualquer coisa que não percebi nesta música.

Primeira reacção: bem, é melhor não dizer. Por ser tão diferente, aqui tenho mesmo que ouvir melhor. Não é uma música fácil, não é não. Não me perguntem porquê mas no inicio pensei: Sétima Legião. Pedro Oliveira, sai desse corpo ! Música portuguesa dos anos 80 não entra nesta casa!

Os The Gift estão a desafiar-me. Eu sei. Ah, mas não vão ganhar tão facilmente, ah pois não! Esta lá tudo para eu não gostar. Ah se está, e bem presente. Querem que desista logo à primeira? Eu também dou luta!

Queriam que eu não gostasse, não é? Olha, enganaram-se. Gosto!




Primavera por Geminus

Ouço a música uma primeira vez e sabe-me a pouco. Talvez por dois motivos: por ser a música em Português (tinha alguma expectativa, apesar de não sentir necessidade de que houvesse uma música na nossa língua); e pela forma como começa.
Mas, na verdade, confesso que o refrão se me tornou completamente irónico.
Passei as horas seguintes a cantarolar “Hei-de te amar…”
Como se no meio de toda a ambiência a, voz lançasse um feitiço inquebrável que me levasse a, inevitavelmente, a ter de amar a música um dia...





Primavera por Cube

Há alguns anos atrás, a Manuela Azevedo comentava numa entrevista, a um periódico qualquer que agora não me recordo, que os portugueses podiam continuar a ouvir música em inglês, francês ou qualquer outra língua, mas era em português que nós continuávamos a SENTIR.
Hoje escutei, talvez, a primeira música (de uma banda, que quem me conhece, sabe que gosto deles de sobremaneira e que, apesar de não concordar com todas as suas ideias, continuo a escutá-los, a segui-los, a dar-lhes atenção) que me deixou completamente com cara de what the f? E não, se fosse cantada em inglês, também não me parece que mudaria muito a minha expressão facial.
Não consigo pegar-lhe, por muito que queira; até gosto da melodia mas não dá para aguentar o tom Sónia on diazepam (que me fez lembrar a colaboração escabrosa na banda sonora do Rádio Relâmpago) e os teclados que parecem vindos das lojas dos chineses. Não dá.

Ps: já tinha eu preparado um trecho do Rite of Spring e uma foto de uma amendoeira em flor do parque cá do burgo para este tema, quando me deparo com esta primavera. Touché.




Primavera por Keep Breathing

Embora prefira os The Gift cantados em inglês, gosto bastante de ouvir a Sónia cantar em português – confesso que este foi um dos grandes efeitos dos “Amália Hoje”, mais até do que da “Fácil de Entender”. E gosto desta “Primavera”. Gosto muito do ritmo, gosto da forma como a Sónia pronuncia cada sílaba. É bom ouvir esta voz com tanta clareza. Só tenho pena que o refrão não seja mais combativo… Quer dizer, esperava um apogeu mais claro depois de uma ascensão tão bem engendrada. E um apogeu mais provocador seria também mais condicente com o título – digo eu, que na primavera me sinto sempre mais apaixonada…
E também fiquei com pena do final abrupto… É possível ver uma certa ligação entre este fim repentino e o início da “Aquatica”, a música que se segue. Mas, ainda assim, há um corte súbito… E já vos disse que não gosto de mudanças súbitas, não já? Na música, como na vida…

Com esta “Primavera”, podemos, além disso, ouvir sete músicas seguidas, exactamente como vão constar do álbum. Isso, para mim, foi o mais importante: começar na música nº 3 e terminar na nº 9, ouvindo-as encadeadas. E, finalmente, tudo isto começa a fazer algum sentido! O que prova, como eu dizia ontem, que um álbum (um bom álbum) é mesmo um álbum, é um conjunto coerente e não uma série de músicas desgarradas e desconexas. E o que é engraçado é que este conjunto que compõe o “Explode” parece-me ficar muito mais congruente ouvido pela ordem escolhida para o álbum e não tanto ouvido pela ordem que tem sido seleccionada durante estes dias. Porque terão decidido enviar-nos as músicas segundo uma sequência diferente? Agora interrogo-me mais sobre isto do que no início…

E que sentido faz este “Explode”, então? Ah, sobre isso só me vou pronunciar depois de ouvidas as 11 músicas. Mas percebe-se que já que, afinal, não houve uma decisão clara de abafar a voz da Sónia, ao contrário do que as primeiras músicas enviadas indiciavam, não houve uma viragem taxativa para as guitarras e para os sons eléctricos, como tanto se apregoava, não é um álbum tão colorido como pensávamos, continuando a ter as zonas de sombra de que eu tanto gosto… E tudo isto são boas notícias!



Primavera por AndréGift

As expectativas sobre "Primavera" eram altas. Sabia que seria um tema cantado em português e depois do êxito que teve a "Fácil de Entender", a expectativa era grande. Se, neste período, houve músicas em que pensei não estar a ouvir The Gift (por boas razões), desta vez pensei o mesmo, mas por motivos diferentes maus). Desde já digo, e peço desculpa pela franqueza, que a música me soa a algo pimba (apesar de este ser um conceito vasto), não gosto da letra (Sábado à noite, não sou tão só, somente só...!!!!!!), mas talvez por ser em Português. E o som do piano também não me diz nada. O única aspecto que nem desgosto totalmente é o refrão...mas mesmo assim, fico a pensar em cantores/grupos nacionais que é melhor nem destacar... Não gostei desta "Primavera".

Até ao momento é a única que me passa ao lado. Fiquei um pouco desiludido, mas é apenas uma música, e uma em 9 não faz diferença nenhuma. Ainda faltam duas. Venham elas...



6 de março de 2011

Aquatica por Geminus

Há um caminho ondulante e luminoso por onde empurrados pelas correntes somos levados. Com a ajuda da voz que nos transporta levemente e ao de leve nos ajuda.
O caminho é incerto e faz de nós um ser débil. Inconscientemente, deixamo-nos levar aos embates, mas com a esperança que após a capitulação, amorfos, sejamos levados à Arcádia.

Quero.
Houve sargaço e lodo que ocultou o fio de ouro que nos dá a vida, mas com a chuva salgada corrosiva e cristalizante voltou a luz que guia os seres no êxodo e lhes renova a vida. Qual Fénix de mar, que mergulha e me conforta.

Pega no búzio, ouve a minha voz.
A cruzada que me personifica a viagem, que me carregou rumo a esta ilha, de onde não quero sair, mesmo que me mate a folia. O sentimento de querer combater junto a ti é mais forte.
Caminhei sozinho, por vales e rios, transportando uma adaga de sangue e o suor. Suor, que como aquilo que jorra de ti é salgado.

Jubileu.
A Musa, agora entorpecida, carrega sempre um prazer na complacência do transporte, que ergue junto ao som que emite. No som da baleia que percorre ondulante, a par da luz ténue, clara, perfurante, o teu mar…

Vem nadar comigo.
Mescla colorida em cascata que escorre pelas minhas mãos a caminhos de ti, casulo de preocupação. De cuidado.
Coloco em ti o meu padrão de cada vez que te visito, cruzando o caminho que nos cruza.

Abraça-me.




Aquatica por Even_Flow

Cores claras, suaves, esbatidas. Pouco contraste, uma espécie de névoa, de bruma, mas quente. Carrosséis esboçados, como que a flutuar entre o sonho e a memória. Descobertas envolvidas em risos, pés descalços. Perucas, rendas, um mar de confettis, sardas de fantasia. Sorrisos pintalgados, numa mistura de algodão-doce e entusiasmo. Sótãos escuros, arrepios, mãos dadas. Pedaços de relva, pescoços transpirados, risos que explodem tanto que dobram os estômagos e cortam a respiração. Melodias desconexas, representações, planos perdidos em folhas de papel. Antecipação, embrulhos luminosos, laços, sopros intermináveis. Olhares transparentes, toques de cetim, certezas subtis.
Mergulhos no infinito, ondas de inocência.


Aquatica por Mariana Oliveira





Aquatica por LaFolie

Aviso: Aqui há felicidade.

“Adoro as coisas simples.
Elas são o último refúgio de um espírito complexo.”

Óscar Wilde


A pessoa que escreve aqui não acredita na felicidade, nunca acreditou.
Eu sempre acreditei em pequenos momentos de felicidade, momento simples como um bom copo de vinho, uma boa conversa, um bom riso, ou uma boa música. É a junção de todos esses momentos de felicidade, que dão sentido à vida. Temos que agarrá-los, saboreá-los, nunca os deixar escapar, e sobretudo dar valor a esses momentos.
Ontem tive esse momento. Um momento de pura felicidade, daqueles que agarro logo à primeira e que não largo mais por ser tão bom.
Ouvi a Aquatica, e só me apeteceu dizer : é isso, é isso, é tão isso. Vocês nem imaginam até que ponto “é isso”. Estava lá tudo, mesmo tudo para proporcionar-me esse pequeno momento de felicidade.
Sem a menor dúvida, hoje troco os meus 15 minutos de fama por estes 5 minutos de pura felicidade.

PS : Agora já sei que vou comprar o álbum e vai ser a edição completa. Ah pois ! Aqui não se brinca. E já agora, deixem-me lá pintar a cara para ver se ganho o maldito pack. Vou ali e já venho.





Aquatica por Cube

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.


Sophia de Mello Breyner Andresen







Aquatica por Keep Breathing

E ao sétimo dia, a “Aquatica”, embora música calma, em vez de me fazer descansar, levou-me antes a reflectir sobre as críticas que aqui tenho escrito ao longo destes dias.
Num comentário a um post de ontem, afirmei que, quando se tratava dos The Gift, talvez colocasse a fasquia demasiado alta… E que talvez isso fosse injusto… Eles são a minha banda preferida, a única que vi dezenas de vezes, a única de quem tenho todos os álbuns originais (entenda-se, não gravados), a única que me tem acompanhado nos momentos mais importantes da minha vida… Por isso exijo mais deles do que qualquer outra banda? Parece que sim… É injusto? Não sei… Mas a verdade é que espero mais deles do que dos Portishead, dos Arcade Fire, dos Strokes, dos Divine Comedy, dos Depeche Mode, do Antony… A pressão que coloco é grande? É. Mas são os The Gift… Não foi num concerto de outra banda que comecei a namorar com o grande amor da minha vida… Não é o refrão de uma música de outro grupo que está gravado na capa do caderno onde diariamente tomo as notas para a tese de doutoramento… Não foi a ouvir outra banda que fiz viagens de quilómetros para visitar a minha mãe, internada no hospital, durante os piores dias da minha vida… Não foi ao som de um álbum de outro grupo que decidi que sim, que me casava… Eu exijo demais deles porque lhes tenho dado o melhor de mim! É injusto ainda assim? Provavelmente, sim. Até porque eles nem sabem (nem imaginam) o quanto marcam a minha vida (as nossas vidas?). Nem têm que querer saber, claro.

Há uns dias, a Lafolie escreveu que já tinha o álbum na cabeça antes de ele ser lançado… Eu também tinha. Tinha, pelo menos o desejo de que viesse a ser não um álbum bom, não um álbum muito bom, mas um álbum transcendente, sobre-humano… Como haviam sido o “Vinyl”, o “AM-FM”, o “Fácil de Entender”… Eu queria um álbum para a minha vida, não para o meu i-pod!

Veio, então, este “Explode”. E tem vindo devagarinho, dia-a-dia, guiado pela própria banda. E eu a sentir falta da voz da Sónia, da melancolia do AM, da voluptuosidade do FM… A achar que, efectivamente, este não era o álbum sublime que eu desejava (exigia?)…

A “Aquatica”, hoje, fez-me pensar em tudo isto com calma. Gostei bastante da música, mas, mais do que isso, gostei que ela me tivesse aberto uma nova porta para este álbum. É uma música que nos obriga a questionar, que nos obriga a questionarmo-nos. E eu questiono-me, então…

A verdade é que é difícil avaliar um álbum sem o ouvir na totalidade. E eu sou do tempo em que um álbum era um álbum, valia como um todo, com todas as músicas e com as músicas por aquela ordem… Talvez este processo de revelação de uma música por dia não seja o ideal para Velhos do Restelo como eu…

Mas a “Aquatica” – que seguiu a “Suit Full of Colours”, é verdade… – mostrou-me que vale a pena dar uma segunda oportunidade a este álbum, que vale a pena esperar pelo álbum completo para o avaliar. Para saber se corresponde às minhas elevadas expectativas – justas ou injustas, já não interessa. Para saber se é “apenas” um álbum muito bom, ou se é um álbum maior que a vida.



Aquatica por Marcos

Fecho os olhos. Vejo, em primeiro lugar, um riacho. Sinto-me embalar pelas pequenas ondas. Vejo, depois, um oceano. Vejo uma Polaroid. Um filme em stop motion. Uma vez mais, a voz assume o protagonismo. A personagem principal de uma narrativa. Uma canção de embalar.
Começo a conhecer os caminhos de “Explode”. Uns mais esfusiantes. Outros mais introspectivos. É nestes últimos em que a voz de Sónia Tavares se revela tal como é. Há tantos caminhos a trilhar em “Explode”. Uma viagem. A cada audição compreendo, cada vez mais, os seus rumos. E deixo-me levar.
Coloco os headphones, fecho os olhos, carrego play e deixou-me levar... “Aquatica” embala-me. Gosto! É descomplicada. É simples. Porque as coisas bonitas também são simples. E “Aquatica” é simples e bonita.




Aquatica por Jumpman

Uma das melhores músicas do álbum. Fantástica experiência sensorial.

Transportou-me para um salão onde uma banda formal com uma "leading singer" arrebatadora actua para uma plateia de gala, com os seus smokings e vestidos de cerimónia. O ambiente é melódico e os corpos balançam num clima de cumplicidade. Em algumas mesas alguns casais observam, namoram e saboreiam o seu champanhe. Eu sento-me no bar, observo o salão, a linguagem corporal perfeita da banda com os focos de luz perfeitamente alinhados sobre eles e fumo o meu charuto enquanto abano levemente a minha cabeça ao mesmo tempo que sinto as pedras de gelo a abanarem no meu copo de whisky. Um momento de pura felicidade acontece naquele salão.







Aquatica por SoFree

Gosto desta música. Simples, agradável ao ouvido. Transmite-me conforto e segurança, a sensação de que não se está sozinho.

Não sei o que mais dizer. Estamos agora a descobrir um lado intimista do álbum onde a voz da Sónia tem mais espaço para se libertar. É verdade que nem nesta música, nem na de ontem, me senti conduzido pela melodia como na parte da The Singles que já todos conhecemos como "Papercut". Seja como for, gosto de ouvir.





Aquatica por Crisanto

Antes de começar quero dizer que amo. Posso? Ok eu digo, amo. Eu amo. É lugar-comum? QUERO LÁ SABER. Eu amo do mesmo lugar que ontem não gostei.
Amo.
Porquê? Porque posso, porque quero e porque não tenho como não o fazer. Na primeira vez deixou-me com poucas palavras para descrever como “fiquei” depois de a ouvir. Fiquei pregado à cadeira. Alguém perguntou-me o que eu achava, e o primeiro pensamento foi : Eles conseguiram outra vez.
Com esta fui apanhado desprevenido, não estava à espera de uma música assim. Percebi no instante que a acabei de ouvir que tudo aquilo que percorri com os Gift….iria percorrer novamente. Isto são os novos Gift. A bateria não atropela, a guitarra fala, e finalmente oiço a Sónia a deslizar com a voz pela música.
Isto não se consegue só com trabalho ou conhecimento técnico dos instrumentos e sons, esta música consegue-se com inspiração, com muita inspiração. A Sónia não precisa encher os pulmões para arrebatar-nos, a prova chama-se “Aquatica”.

Ontem ouvi tudo aquilo que eu não queria, hoje esqueci tudo o que conhecia, hoje não me lembrei do ontem.Rendo-me, voltaram a conquistar-me. Podem novamente hastear a bandeira naquilo que chamam alma. Ergam-na orgulhosos, o mérito é todo vosso.
Uma música num único suspiro. Uma música que dura um só momento.

PS: Vou ser um bom menino o resto do ano, prometo.


Aquatica por AndréGift

Aquatica: para mim é fácil falar sobre esta música. Depois de a ouvir algumas vezes, noto que faz sentido escutá-la logo seguida da "Suit full of colours", é na mesma linha, um fio que me conduz pela imaginação e introspectividade. É isso que gosto nestas músicas, direi, mais calmas e intimistas. Há tempo para nos apaixonarmos por ela, para chorar, fechar os olhos e sentir a harmonia que a envolve, o poder da voz da Sónia e do piano... Será que o lado mais electrónico deste disco já terminou? Será que este cd também se poderia chamar AM-FM? Estou, de certo modo, a ironizar, pois não sei o que ai vem. Mas cada vez estou mais certo que os The Gift estão no caminho certo.

Não sei se é por estar a ouvir a música à noite e numa fase de uma certa melancolia, mas "Aquatica" é música para os meus ouvidos, para o meu interior. Vou às nuvens e venho. E entretanto adormeço.





5 de março de 2011

Suit Full of Colours por Mariana Oliveira






Suit Full of Colours por Keep Breathing

E adorei… Adorei… Adorei apenas… Obrigada!


Suit Full of Colours por Crisanto

Antes de começar quero dizer que não gosto. Sim não gosto. Posso não gostar não posso? Então eu não gosto.
Porque é que não gosto?
Utilizando uma linguagem de rua : -“ Não bateu pá”.
Parece Gift a ir pelo caminho mais fácil.
Peço desculpa mas não me apetece escrever mais nada. Quando uma música não mexe comigo tenho dificuldade em escrever sobre ela.

PS : Se alguma das próximas músicas chegar perto da grandiosidade da The Singles prometo ser um bom menino para o resto do ano.






Suit Full of Colours por Cube



A canção de hoje está a ser particularmente difícil de lhe pegar; é sempre assim, as coisas mais simples são as mais difíceis, e estar enamorado por este tema desde o primeiro minuto não ajuda (o amor não é suposto ser fácil, certo?). A minha costela de romântico-inveterado-mas-céptico-como-um-raio estremeceu quando ouviu este Suit Full of Colours, pérola de entrega e rendição máxima entre dois seres. E sem dúvida que aqui the less is more, o crescendo eléctrico entra no momento certo e não há um único momento excessivo.

Por alguns momentos lembro-me do que é estar apaixonado por alguém; e sabe bem, deixar-me levar pela voz da Sónia, enquanto me recordo da sensação de falta de ar quando avistamos o nosso amor, pela “pianada” do Nuno, quando me lembro das trocas de afecto, e pelas guitarras, que só daqui a uns tempos se saberá quem as toca, a batida (there´s a drumming noise inside my head that pulls me to the ground) da bateria que me faz bater palminhas nas minhas coxas, sincopadas pelo ritmo. Yeah, i´m that nerd.

Someday, sometime, somewhere







Suit Full of Colours por SoFree

Confesso que fui um pouco influenciado antes de ouvir a música. Nas minhas feeds de RSS, começo por ler a letra. Não me deixam dúvidas sobre do que se irá tratar a música, nem de para quem foi escrita.

"If you’re lost, sometimes we all feel down
Explode your love your feet will never, ever, touch the ground…"

Nas redes sociais, pessoas choram e dizem que é a música mais linda de sempre. Tudo o que eu conheço da música é um poema bonito e sentido, obviamente crio uma expectativa em torno da música... que depois não se concretiza. Muito pelo contrário. Acordei esta manhã, expectante como sempre que tenho um novo download do explode. Seria uma balada? Não.. esta letra pede aquela alegria a que o álbum já me habituou. Ou será que não?

Play.

Primeira reacção? Olha a voz da Sónia! Mas... demora a arrancar... e quando chega ao refrão, soa-me estranho. E soa-me a algo que já ouvi em algum lado. É "bonitinho". Uma música "bonitinha". É só isto? Não. Uma harpa mágica, sons tirados de um filme da Disney despertam a segunda parte da música. Snow Patrol? Isto faz-me lembrar aquela música do gajo deitado no meio da rua, à espera que alguém o vá lá buscar (ou de ser atropelado).

Não é que esta Suit Full of Colours me incomode (até agora só uma música da banda o fez). Mas não me diz nada... Não se pode gostar de tudo. E se for esta for a música que eu menos gosto de todo o álbum, também não será uma coisa má. Tenho a noção que esta música vai ser a favorita de muita gente. Especialmente adolescentes. E será a música favorita até à paixoneta seguinte. A música é "bonita", mas efémera. Mesmo que o som fique a ecoar no ouvido depois de acabar.. é só uma questão de tempo até esquecer.

Para mim, esta música foi pintada em cinzento. E por isso vou correr para o sítio onde encontro o vermelho, verde e azul, toda a alegria que este álbum, mesmo estando agora a meio, já tem para me dar.



Suit Full of Colours por Jumpman

"It's easy to understand, try a different view."

É mesmo isto. Ontem lía o texto da La Folie e não podia concordar mais com ela. A verdade é que por vezes temos aquela noção do que queremos que um álbum seja e do que estamos à espera e quando não sai exactamente como desejamos, parece que falta alguma coisa e o modo "rant" entra em efeito. Foi o que aconteceu ontem. Acho que só faz bem de vez em quando libertarmos um pouco do que vai cá dentro, tendo sempre em conta que não se deve ser muito sisudo em relação às coisas. Há músicas que não entram logo à primeira, é normal. A sensação que uma música transmite é um conjunto de muitos factores e não depende só da própria música.

Confesso que apreciei a ironia cósmica de tudo. Aqui estava eu a ouvir a nova música e a pensar que tinha acabado de levar com o Karma como se tivesse sido um autocarro a passar por mim! Sem dó nem piedade. Mas lá está, sentir a música e sentir uma banda é isto mesmo. É o ser critico de tudo. Por vezes até de mais, alguns podem dizer e com alguma razão. Quem não sente não é filho de boa gente, já diz o ditado.

Quando recebi a Suit Full of Colours, desliguei o complicómetro e ouvi a música pela música. Se gostei? Gostei muito. Sentir a música é deixar também a nossa envolvente contribuir para isso. E ontem, ouvi esta música acompanhado, muito bem acompanhado. E soube muito bem ouvir a voz, que tanto critiquei estar ausente. É uma música simples, ligada a um único sentimento. Amor, puro e simples, daquele que acontece "once in a lifetime".

Fazer críticas a músicas de uma banda que nos diz tanto, por vezes pode ser um exercício um tanto esquizofrénico. Sentir-me-ia pior se sentisse indiferença. Tenho a certeza que daqui a algum tempo voltarei a este blog, vou ler o que escrevi sobre as músicas e continuarei a concordar com umas e com outras nem por isso.

Estamos a meio da viagem, continuo com a mesma vontade de descobrir cada música e perceber o sentimento que me desperta. Venha a próxima.





Suit Full of Colours por LaFolie

Da dificuldade de não pertencer às massas

Dá para passar? Tenho mesmo que escrever sobre essa música?
Tenho que confessar que hoje é muito difícil escrever aqui. Hoje é a prova que não pertenço as massas. Fui espreitar os comentários um pouco em todo o lado. E parece ser unânime : toda a gente ADOROU. Para a próxima, nem vou ver. Alias devia ser a regra neste blog. Mas por uma vez fugi a essa regra.
O que faço? Sinceridade acima de tudo, não é? Senão este blog não fazia sentido.

Então vamos lá. A musica estava a começar tão bem. E PUM, entrada da bateria e guitarra e já não sei o que dizer. Lembrava-me outras musicas, o problema é as musicas que me lembrava. Juro que a ouvi muitas vezes, é a musica pela qual dei mais oportunidades. E se dei! E nada. Absolutamente nada.

Hoje é a prova que não pertenço às massas.
Hoje é a prova que os gostos não se discutem.

Nota sobre esta música :

"But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams. "
William Butler Yeats







Suit Full of Colours por Marcos

“Suit Full Of Colours” é, para mim, quiçá, o melhor tema de “Explode” e, arrisco-me a dizer, um dos melhores de sempre – sim, de sempre. Perante isto não consigo acrescentar muito mais...
Não consigo descrever o que sinto ao ouvir “Suit Full Of Colours”. Gosto. Gosto de gostar. Gosto porque gosto. Ponto final! Mas porquê? Porque sinto. Sentir. Amor. Sim, é isso. Amor.
Fecho os olhos. Que maravilha! Tão bonito! Tão profundo! O meu peito enche-se de emoções. A voz da Sónia Tavares arrebata-me. Deixa-me desarmado. Emociona-me como nenhuma outra o consegue. Não tenho palavras... “I will give you all my love”. Que perfeição! A canção explode. E eu também. Tantas emoções. Estou arrepiado.
Sinto que este texto não faz jus ao que sinto. Porque apenas consigo sentir. E sinto tanto...!
Obrigado The Gift! Obrigado por me fazerem sentir coisas tão bonitas!





Suit Full of Colours por AndréGift

Depois de falarmos da falta que a voz da Sónia faz neste disco, eis que surgem provas do contrário. "Suit full of colours" é uma melodia, onde a voz é a protagonista que nos canta e embala ao ouvido. Para mim a melhor, até agora...Diferente das que já conhecemos, o que me leva a pensar se este disco terá uma "espécie" de dois lado, um mais electrónio e ritmado e outro mais minimalista, intimista e com destaque para a voz (????)...

A música começa com o piano e voz, evolui, entra a bateria e há, mais para a frente, uma explosão, onde entra a harpa e apercebemo-nos que é fácil gostar desta música. Eu gosto mesmo dela. Não me canso de a ouvir...
Daria um bom segundo single...Nesta melodia encontra-se o regresso dos gift ao passado...e num disco com tantos aspectos novos, diferentes, regressar ao passado pode não ser mau.




Suit Full of Colours por Geminus

Estou sentado isolado no canto perdido de um quarto escuro e frio. Abraço os meus joelhos e escondo a cabeça. Começo a escutar um sussurro familiar que vai crescendo. Mais claro e mais forte. Um arrepio que me faz sentir aconchegado e me traz lembranças antigas, como se fossem braços de algodão puro a cobrir-me. São as asas de um anjo que me acolhem, me tornam leve como as suas penas e ajudam a flutuar. Mãe, cheiram a ti. E acolhem-me…
Encolhido sobre mim mesmo, volto a estar dentro de ti como nunca mais tinha estado. Protegido no teu calor, ouço o bater do teu coração perto de mim e sei que já não estou sozinho, pois tenho o teu mundo.




Suit Full of Colours por Even_Flow

“And isn't it ironic... don't you think?”

“quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós”








4 de março de 2011

Let It Be by Me por Cube

i carry your heart with me

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)


e.e. cummings










Let It Be by Me por AndréGift

Não sei por onde começar e, na verdade, nem o que dizer sobre esta nova música...
"Let it be by me" tem ritmo (não me parace que vá faltar ritmo a alguma música desde disco), mas não entra a "matar". Nos primeiros segundos fica-se à na ânsia do que virá a seguir....e o que vem a seguir é uma forte batida, com a voz da Sónia e do Nuno (penso) sobrepostas, mas em perfeita harmonia. Não é a minha favorita, mas de vez em quando vai saber bem ouvi-la. Registo negativo para o facto de a música ser sempre muito parecida, falta um refrão (ou toda ela é apenas um refrão)....







Let It be by Me por Mariana Oliveira










Let It be by Me por Keep Breathing

OK, vou tentar não voltar a falar da falta que a voz da Sónia me faz… Vou recalcar esta mágoa e procurar analisar esta “Let It Be by Me” com um mínimo de objectividade...

Esta música será a primeira do álbum, o que quer dizer que, depois do single “RGB”, é o cartão de visita deste “Explode”. E é um bom cartão. Porque, de facto, mostra claramente a transição dos The Gift para uma nova fase. Talvez esta seja mesmo a música onde melhor se detecta a mudança de um registo mais sereno, com que a música começa, para um outro, mais nervoso, com que a música termina. Esta é a música onde escolhemos, de facto, quais são os The Gift que preferimos: os do passado ou os do presente?

Não que no passado não houvesse, nos álbuns da banda, músicas mais vigorosas. Sempre houve e, ainda bem! Os The Gift sempre foram ecléticos e foi, aliás, exactamente por isso que se tornaram a minha banda preferida. Mas havia aquele fio condutor electro-pop mesmo entre os lados AM e FM, onde músicas como a “Red Light” ou a “You Know” eram a excepção, não a regra… Porque mesmo o lado FM era tudo menos cru, tudo menos frio…

Agora temos um fio condutor diferente. Esta “Let It Be by Be” mostra-o bem: o fio continua a conduzir electrónica, continua a conduzir pop, mas conduz agora com mais agressividade, com mais urgência, com menos cuidado, com menos imaginação… Parece-me que esta música nos mostra logo um álbum FM, mas onde não caberia uma “Front Of”, uma “1977”, uma “Pure”…

Em 2008, os Portishead lançaram o álbum “Third”. Quiseram inovar, fazer ouvir a bateria, passar do trip-hop para algo mais rockeiro, retirar protagonismo à extraordinária voz da Beth Gibbons (recalca!)… Conclusão? O “Dummy”, álbum lançado 14 anos antes, continuou unanimemente a ser considerado a sua obra-prima… Nessa altura, preferi os Portishead pré-“Third”. Também agora prefiro os The Gift pré-“Explode”. A minha escolha está feita.





Let It be by Me por SoFree


Bairro Alto.

De onde vim minutos antes de fazer refresh e encontrar uma nova música. E que me levou de volta ao Bairro. Ouvi a música uma vez e não me disse muito. É uma introdução, é certo.. e abre portas àquilo que já conhecemos como o fio condutor deste álbum. É upbeat, good feel. Mas não "explode" nenhuma emoção em particular como as restantes já conhecidas.

It's just a matter of you and I in different times...

A letra é curta e simples, mas diz-me muito. Adoro a melodia (já me estou a contradizer com apenas uma segunda audição?). Fez-me lembrar uma imagem que dediquei uma vez à In Repeat. Mas é uma imagem que realmente sinto adequada ao ambiente que a música me faz recordar. E faz recordar o tempo passado com amigos distantes, reencontrados por um breve instante, um jantar, um copo... mas que guardamos na memória com imensa estima.

Gosto do som deste álbum. Gosto da alma deste álbum. Estamos quase a meio e já perdi o medo de um dia ouvir "Nice & Sweet – A Vingança".



Let It be by Me por Jumpman

Ouvi umas quantas vezes a música que será a nº1 do alinhamento do álbum. Para mim, fica ali numa zona de ninguém, nem carne nem peixe, nem sei muito bem o que pensar, tendo até pensamentos contraditórios em relação à própria música.

Pelo que tenho lido nas reviews às músicas anteriores uma das maiores "críticas" é que a voz da Sónia está abafada ou menos presente, digamos assim. É uma questão válida e levanta a eterna discussão se a vocalista faz a banda ou vice-versa. Eu tenho gostado de ouvir este novo caminho da banda já que acho que a evolução faz bem às bandas e de vez em quando gosto de ver as bandas saírem um pouco da sua zona de conforto. A capacidade de nos reinventarmo-nos está em cada um de nós e para isso é preciso coragem.

Mas parte de mim é um "purista" pois gosta, não desculpem, adora as melodias do Vinyl e do Film e as do AM-FM também. Nesse aspecto, sinto falta da voz poderosa, não o nego. E aí chegamos a esta música. A mim não me convenceu. E agora já estou a ouvir alguém a dizer, "se nesta música a voz da Sónia está presente do que te queixas pá?". Eu avisei que eram sentimentos contraditórios..

Gosto do começo da música, mas a certa altura começa a haver muita coisa metida na música e na minha opinião perde-se um pouco.

Não sei, não me entra..

É a minha música menos favorita do álbum até agora. E curiosamente é a primeira do alinhamento. Penso para mim que sensação teria ao começar a ouvir o CD e fosse esta a primeira música que ouvia..

Nesta tenho mesmo vontade de dizer, "Deixem jogar o Mantorras!"








Let It be by Me por Crisanto

Engraçado como na noite de” lançamento” da música, ouvi-a e não a achei nada de especial. Hoje ouvi-a novamente sem nenhum preconceito e agarrou-me. (reparem na palavra preconceito)

A impressão digital da banda está tão entranhada que tenho alguma dificuldade em estar de mente aberta. Mas esperem, não somos nós que queríamos ser surpreendidos, não queríamos algo de diferente? Não queríamos que a banda se reinventasse? Quando o fazem, quando cortam laços com o passado, nós reclamamos.

Para mim a “Let it Be by ME” é:
Berrar
Partir
Correr
Revolta

A cada audição sinto-me mais próximo da raiva que a música me transmite. Expulsa fantasmas, ressuscita-nos. Dá-nos vontade de começar uma nova vida, refazer tudo. Uma grande musica que vai ter melhor resultado em mim quando estiver fulo com a vida.
Uma música agressiva, zangada e menos melodiosa. Gosto de músicas assim, que têm mau feitio.

Tiago toma o controlo da tua vida! Porra!




Let It be by Me por Even_Flow

Let it be
(By me)


Já quando me referi à RGB falei na facilidade com que hoje em dia a música chega até nós, graças à existência quase infinita de opções. Entre redes sociais e canais de vídeos, downloads gratuitos (uns mais e outros menos), é fácil dispersar. Mais do que nunca penso que aquilo que faz a diferença numa banda ou música, são os pequenos detalhes. Uma espécie de marca registada que se identifica em poucos segundos e que distingue aquela música de outros milhares que vagueiam por aí. É essa originalidade e autenticidade que induz uma subsistência e que marca a diferença entre um HIT e algo que fica, entre um single que toda a gente canta e um concerto a que toda a gente vai. São cada vez mais raras as bandas que conseguem ir para lá de grandes produções de marketing e de modas. Essa identidade acaba por ser aquilo a que nos afeiçoamos e é essa identidade que procurámos quando sabemos que a banda x ou y vai lançar um novo disco. É complicado agradar ao público, claro. Se não há evolução é porque não há evolução, se há evolução a mais é porque há evolução a mais. O equilíbrio que tem de se encontrar entre manter a identidade e não ficar «stuck» é incrivelmente difícil de conseguir e para prová-lo estão os milhares de bandas que têm um grande primeiro álbum e depois afundam-se.

Ora os Gift não são uma banda que apareceu há um ano ou dois. Passaram o teste de um primeiro álbum arriscado, de um segundo que confirmasse, de um terceiro que evoluísse e de um quarto que reciclasse. Ao quinto álbum, ou quarto de originais, já se estabeleceu aquilo a que se chama o “público fiel”, que é o mesmo que dizer que as pessoas compram o álbum antes de ouvirem os singles e nem sequer põem em hipótese não ir a, pelo menos, um concerto da banda. Os mesmos que, neste caso particular, esperam ansiosamente por receber a próxima música no e-mail. Eu considero-me parte dessa massa não identificada.

Mas desde a primeira música que me surgiu um certo desconforto. Isto porque aquilo que para mim, se não na tonalidade, pelo menos em grande parte, dava corpo e alma aos Gift, aquilo que mais me movia e fazia arrepiar, era a voz da Sónia. Única, forte, suave, agressiva, encorpada, envolvente. O, fazendo aqui uma pequena metáfora vinícola, terroir. Claramente que não é o terroir que faz o vinho e não é a sua distinção que implica uma qualidade maior ou menor do produto final, necessariamente. Ou seja, este novo álbum dos Gift não é, de todo, mau. E não é que eu não goste dele (ou do que conheço até agora). Até gosto bastante. Mas para o apreciar em plenitude, tive que me abstrair (ou tentar) desse terroir que procurava e pensar nele como um novo vinho, um que nunca bebi antes. Pode ter uns taninos que me soam vagamente a algo que já conheci ou bebi em outro lado, mas o corpo é, indubitavelmente outro. É uma espécie de renascimento, então.

São estas as minhas cores preferidas? Não.
Mas se calhar está na altura de deixar de olhar para trás e abraçar o presente.
Por tudo isto, não digo “welcome back”. É mais um “nice to meet you”.
Cheers!







Let It be by Me por Geminus

É só uma questão de me faltar novamente a voz da Sónia para que tudo voltasse a ser perfeito. Cru não é necessariamente sinónimo de vozes constantemente indefinidas. Não é razão para esconder a voz que tantas vezes é cobiçada.

Desculpem o meu egoísmo, mas hoje vou sentar-me no canto à espera de ouvir o chamamento da vossa voz…




Let It be by Me por Marcos

Quinto dia. A viagem está a meio. “Let It Be by Me” é a faixa de abertura de “Explode”. Faz todo o sentido que o seja. Ao longo dos 5 minutos (e alguns segundos) de duração, sente-se um crescendo. Agrada-me. Cresce, cada vez mais. No entanto, os arranjos vocais soam-me repetitivos. Não há nada de mal nisso. Mas não crescem ao mesmo ritmo da melodia. A canção continua a crescer. Parece que a qualquer momento pode atingir o clímax. Cresce. E cresce, Um pouco mais. A voz cala-se. A bateria assume o protagonismo. Caminha para o ponto fulcral. Termina. Cala-se tudo. Fico em suspenso. Quero mais. Quero ouvir a faixa seguinte. O alinhamento de um álbum é uma narrativa. E, por isso, sinto que o que segue “Let It Be by Me” fará todo o sentido. Quero ouvir mais!



Let It be by Me por LaFolie

Os meus problemas.

"É natural que os outros tenham sempre razão, pelo simples facto dos outros serem cinco biliões (ou lá o que é) menos um e de eu ser apenas esse um. Ser influenciado é assim um reconhecimento da nossa pequena participação no mundo e da riqueza interminável desse mundo; é um acto alegre de humildade; um sinal enérgico de dependência humana"
Miguel Esteves Cardoso.


Confesso que ontem à noite estava chateada, furiosa por assim dizer.
Estava a gostar tanto do álbum, das músicas que estava a receber, tanto desta experiência…mas depois chegou a My Sun...
Ao ler o que o SoFree comentou sobre o que tinha escrito, pensei muito, pensei mesmo. A My Sun soou-me a Arcade Fire, é verdade, mas o problema não estava aí. Eu gosto dos Arcade, e acho a My Sun uma boa música. Aquela piada sobre o Ipod era só uma forma de introduzir um pouco de humor no blog. Acho que falta humor neste nosso mundo.

O problema não estava aí.

Pensei muito na questão do alinhamento e do facto de receber uma música por dia, ainda por cima sem seguir o alinhamento original do álbum. Pensei muito nesta nova forma de ouvir um álbum. Por exemplo, sei que hoje vai haver milhares de pessoas a ouvir a mesma música num mesmo momento, isso acontece todos os dias, é verdade, mas não da mesma forma. Eu estou ali no meio dessa multidão a fazer o mesmo. Se isso é bom ou mau, não sei bem. Se calhar não gosto de fazer parte de multidões. Eu gosto de individualidade, a não confundir com individualismo.

Os the Gift estão a mostrar-me um caminho para este álbum, caminho esse que tenho obrigação de seguir, não tendo outra hipótese. E se não me apetecer ouvir a My Sun depois de ter descoberta a Mermaid? A primeira audição de um álbum é fundamental para mim (em quase todas as vezes vai formar a minha opinião sobre o mesmo). Aqui, a escolha não é minha. Não sou eu a decidir onde e como vou ouvir a música. Estou a ouvir cada uma das músicas em casa, frente ao computador e por volta da meia-noite. Isto tudo está a formar a minha opinião sobre o álbum.

Foi aí que pensei que tinha dificuldade em deixar-me ir. Nunca fui uma pessoa de preconceitos sobre o que quer que seja, não gosto disso, aliás odeio os preconceitos. E aqui estou cheia de preconceitos. Eu quero ouvir o álbum que já estava na minha mente. Eu já o tinha imaginado antes dele sair. Tinha que estar lá aquilo que gosto nos The Gift. Queria ouvir a voz da Sónia poderosa, como muitos de nós.

Ouvi ontem à noite a Let it Be By Me.
Primeira reacção: Ok, não está lá a voz da Sónia. Não me apetece ouvir mais. A minha opinião sobre a música já estava formada antes de dar qualquer outra oportunidade. Será que com outra banda, teria feito o mesmo? Muito provavelmente. Mas aqui não se trata de outra banda qualquer. O problema é que os The Gift foram durante muitos anos a banda sonora da minha vida, e eu desejo que este álbum o seja também. Lembro-me o que escrevi sobre a The Singles. “O Nuno consegue levar-me por onde eu não quero ir.“ Será que é mesmo verdade?
Foi então que decidi ouvir novamente a Let it Be by Me. E não é que adorei? Despida de todos os preconceitos que tinha sobre o que EU queria ouvir neste álbum. O dia estava lindo. Às vezes não devemos pensar muito.

Com Explode não devemos partir à descoberta, se nessa procura já temos a ideia do que queremos encontrar.
É só deixar-nos ir.

Nota para mim: Isto é só um blog, isto é só musica.








3 de março de 2011

My Sun por Even_Flow

One day you will dance this song with me

Há uns dias perguntaram-me o que era, na minha opinião, ser jovem. Fora muitas as ideias que me surgiram mas praticamente nenhuma certeza. Como é que se define algo tão presente no nosso imaginário mas tão pouco palpável? O primeiro pensamento, o mais estereotipado, prende-se com a idade. Rapidamente se percebe que é um conceito incrivelmente redutor. Até que idade se é jovem? É uma questão que não faz sentido, pensei logo. Ser-se jovem é um estado de espírito. “Elabora”, foi o que me responderam. Elaboro? Elaboro…

E a quarta música surgiu e, mais ao menos, aos dois segundos eu percebi que aqui estava a minha resposta, completamente elaborada. Ser-se jovem é acreditar. Acreditar mesmo que o mundo inteiro grite que não temos razão. Acreditar mesmo quando todas as portas se fecham ao mesmo tempo. Acreditar que tudo é possível, que nada é definitivo, que há sempre mais e mais e mais e mais. Acreditar no amor, no amor verdadeiro e puro, aquele que mora dentro de nós, que nos corre na veias, faz as nossas células reluzir, dá sabor às estações e cor à alma.
Acreditar que há um mundo inteiro dentro de nós e que por mais intricados, complexos, complexados, e estranhos que possamos ser, toda a nossa existência é essencial, porque somos todos uma peça de um puzzle universal. Acreditar que se pode sempre dar mais e melhor. Acreditar em todo o tipo de saltos, mesmo os no vazio. Acreditar na magia e num mundo de coisas que não é preciso ver para saber que são reais. Acreditar que o encantamento ainda mal começou. Acreditar que se está sempre a renascer.

Acreditar. Elaborado ou não, ser-se jovem é acreditar.







My Sun por Marcos



Amanhece. Acordo. Consulto a caixa de correio electrónico. Chegou algo.

“My Sun”. Explosão. 1, 2, 3, 4, 5 segundos… Entro em êxtase. Sinto-me feliz. Sinto-me invadido pelos raios de sol matinais que entram pela janela, ali mesmo ao meu lado. O meu corpo é invadido por uma energia contagiante. O ritmo apodera-se de mim. Os meus membros ganham vida própria.

Fecho os olhos. Vejo uma catadupa de frames de um qualquer filme. O filme de uma vida. Vejo a minha infância. Crescemos, amadurecemos. Já sou um adulto. Serei realmente? Quero continuar a ser criança. Não ter medos. Ser livre. Como vocês. Vejo a infância daqueles que agora são crianças. Vocês.


One day… One day… One day… Um dia vou fazer tantas coisas convosco. Esse dia é hoje. Vamos brincar.

Sinto-me tão feliz!

Ladies and gentlemen, The Gift!

Para M. e P.! (Vocês são o meu sol.)






My Sun por SoFree

O momento antes dos créditos finais. Só ouvi a música uma vez, já ensonado. Mas o que senti foi uma explosão de energia e esperança, algo bastante positivo e até inspirador! Bons sonhos se avizinham depois de ouvir "My Sun".

Por esta altura, já se sente o fio condutor deste álbum, o elo comum entre as músicas. Tenho gostado bastante das novas melodias e desta sonoridade que é ao mesmo tempo nova e familiar. Também noto neste fio condutor a ausência daquelas músicas de cortar a respiração / apertar o coração. Noto a ausência do registo mais poderoso da Sónia, também... Mas passado 1/3 do álbum, só tenho a dizer que estou realmente a gostar e esta música não é excepção.

É curioso que, de uma forma ou de outra, associo estas 4 músicas ao verão. Há um calor que transmite até nas profundezas do oceano da Mermaid Song. E esta My Sun é mesmo uma tarde de sol, uma corrida a dois num parque verde sem fim. Risos e olhares de cumplicidade... Uma música pop. Simples e directa. Feliz. Um dia, vais dançar esta canção comigo :)

Abri uma excepção após um dia inteiro a ouvir a música, que me faz sentir feliz que nem um perdido. Isto porque quando prestei mais atenção à letra, percebi o motivo da alegria que a música me transmite. Parabéns Nuno! Há um pedacinho da tua imensa felicidade que se sente aqui.





My Sun por Cube

My Sun

Até 2010 tivemos como certa a Voz dos Gift, um dos seus maiores portentos e motivos de destaque; em 2011, o mais acertado será reconhecer que esta já não é uma banda a uma só voz, mas antes uma banda de vozes. E neste tema, bem que se debatem entre si, num duelo amigável onde a única recompensa é o rasgar dos sorrisos de quem o escuta; pois que sim, este é um tema upbeat em que a crença de melhores dias virão é cantada e exortada durante os quatro minutos e trinta que o constituem. E enquanto esses minutos duram, acreditamos que esses dias também chegarão para nós.

somos tão novos e estamos tão perdidos.
o teu silêncio dentro dos gritos das árvores, o meu silêncio sobre o entardecer.
seria feliz se pudesse dizer-te:
vem, vamos fugir de mãos dadas, amor.

José Luís Peixoto








My Sun por Mariana Oliveira










My Sun por Jumpman

A minha relação com a música dos The Gift vai além da música que eles transmitem e tão bem fazem. Há já muito tempo tomou contornos diferentes, é algo impregnado na pele e em todos os meus poros. Algo talvez complexo e que poucas pessoas compreendem.

E isso é um laço muito forte entre diversas pessoas. Uma cumplicidade inexplicável que se prolonga há muitos anos e que continua viva, muito viva. Vivências singulares vividas no silêncio de uma plateia ou na confusão de uma mosh, nas auto estradas que percorríamos na noite profunda e no amanhecer frio. Nas estações de serviço, na nossa parvalheira, nas despedidas e nos reencontros e em tudo o resto que guardo em mim e que me faz sorrir sempre que penso em The Gift.

E depois chegamos a esta música. Durante 4 minutos e 29 segundos, passou isso tudo na minha mente, como polaroids mentais. Os sentimentos, os locais. Como se estivesse a voltar a viver cada momento e estivessem ali mesmo, à distância de um passo. E deu-me vontade de rever cada uma dessas pessoas, de criar novos momentos.
Para que na altura em que a despedida chegue novamente, tenha na mente esta música e tenha a certeza que voltarei a ver todos e criarei novas memórias.

Esta música relembrou-me que nunca perdi nada, está tudo cá dentro. E que há uns dias, mais que outros, que sinto falta disso..

Obrigado à banda por me lembrar disso.


"Always remember"



My Sun por Keep Breathing

Mas por que razão não soltam a voz da Sónia?!

Os The Gift contam com a melhor vocalista que este país conhece e aquilo que mais me tem desiludido neste álbum tem sido precisamente o facto de a voz da Sónia surgir tantas vezes abafada….

Tudo bem com o “mais eléctrico”, tudo bem com o “menos épico”, tudo bem com o “mais colorido”, tudo bem todos os conceitos novos que queiram inventar, com todos os conceitos velhos que queiram reutilizar, mas, por favor, ponham a voz da Sónia acima de tudo isso!

A uns dias de distância, e à medida que as novas músicas vão chegando, vamos sedimentando opiniões. Desde a “RGB” que ando a pensar nisto e, hoje, com esta “My Sun”, tive a certeza: o que me tem faltado neste “Explode” é ouvir a voz da Sónia em todo o seu esplendor e de forma mais constante!

Aliás, não deve ser por acaso que a minha música preferida até agora foi o “pedaço”, a que vou chamar “Papercut”, incluído na “The Singles”… Porque aí há Sónia Tavares a sério!

Mesmo na RGB, aquilo que nela me fez mais confusão – já o disse antes aqui neste blog – foi o início estranho e a falta daquela “originalidade total” típica dos The Gift. O início era estranho, porque, ao ouvi-lo, quem não soubesse de que banda se tratava não poderia ter a certeza de era a voz da Sónia no fundo (fiz a experiência com duas pessoas!!). Eu só na parte do refrão descanso ao ouvi-la…

E a originalidade giftiana reside também muitíssimo na qualidade da vocalista. A “OK” cantada por outra pessoa chamar-me-ia a atenção quando vi a banda actuar na TV pela primeira vez (1997?) e levar-me-ia a comprar o álbum, até aí desconhecido, logo no dia seguinte? Não…

Gosto da música de hoje, não me interpretem mal! A “My Sun” é, de facto, soalheira. O crescendo está muito bem criado, a quebra a meio está perfeita, o retomar no mesmo ponto alto faz todo o sentido, a voz da Sónia a impor-se “lá atrás” de vez em quando… mas… mas continuo ainda com os meus “mas”…




My Sun por Geminus

Um raio de sol animado abre a melodia e promessas felizes de vários dias começam em catadupa. É uma música amarelo alegre. Sol. Sem dúvida. Mas…
… cheira muito a The Arcade Fire, banda que conheço e aprecio bastante, mas que não é aquilo que espero ouvir dos The Gift, pois já têm o seu espaço.
Confesso que tenho vontade (MUITA) de ouvir a textura da voz da Sónia, que tanta personalidade atribui às músicas e que as torna únicas e diferentes de todas as outras que sejam feitas por aí. Sinto mesmo muita falta e especialmente neste tema.
Confesso que até agora esta terá sido a música em que mais senti a diferença daquilo que eram… Porque em todas as outras se conseguia, ao longo da melodia, identificar aquilo a partir do qual evoluíram, alguns tiques da banda…
A My Sun, por outro lado, apesar de ser uma música de que gosto, dá-me a sensação que poderia ter sido feita por uma outra qualquer banda...
E se é verdade que a evolução é o que mexe o mundo, não devemos esquecer-nos nunca de onde evoluímos e não perder a nossa marca, o espaço que já conquistámos.
Muitas vezes é a alma que nos diferencia dos outros…





My Sun por AndréGift

Primeira observação a fazer: se me dessem a ouvir "My Sun" não conseguiria identificar como sendo dos Gift. Noto, numa parte ou noutra, um toque The Gift, mas pouco...Não querendo dizer com isto que é mau, antes pelo contrário. Se por vezes sabe bem ouvir numa música algo que nos faz identificar com a banda (do passado), por outro lado, sabe bem ouvir coisas novas, que mostram a banda do fturo... Os Gift marcam a diferença...

Esta é uma música para ouvir a caminho da praia, num dia de sol...
Pode ser a Nazaré. Depois damos um pulo a Alcobaça e aproveitamos o bom tempo de final de tarde numa esplanada em frente ao Mosteiro. Jantamos, tiramos umas fotos e estamos entre amigos. Terminamos a noite com um concerto dos Gift, no Cine-teatro local. Ai, o sol já se foi embora, mas estamos quentes de felicidade, e contemplamos o que de mellhor os nossos meninos nos dão... Neste dia sou feliz. :)









My Sun por Crisanto

My Sun é muito fácil de entender.

Talvez por ser a menos complicada, a menos genial, a menos surpreendente. Será isto mau? Não, não é. Está aqui um verdadeiro Radio Hit. Mas a questão é: um Radio Hit faz uma grande música, em alguns casos não.

Não é esta música que me iria vender o álbum , mas certamente esta música venderá muitos alguns de Explode. Perfeita para juras de amor, perfeita para nos apaixonar-mos ao som de : “one day you´ll dance this song with me”.

Esta é e irá ser obrigatória em concertos. Aos primeiros acordes as meninas vão começar a saltar e os meninos a bater o pé. Leve, fresca e dançável….perfeita para a época que vem aí. Já a ouvi mais de uma dezena de vezes hoje, mas não, não é por ser uma grande música, ouvi-a tantas vezes apenas e só por estar apaixonado.

Eu bem tinha avisado que as minhas opiniões seriam condicionadas pelo estado do tempo e pela conjectura sócio-económica do país.







My Sun por LaFolie

- Estou?
- Apple Store boa tarde. Em que posso ajudar?
- Bem tenho aqui um problema com o meu Ipod, parece que não está a funcionar bem. Ontem estava tudo bem e hoje não sei porquê, ele está-me a fazer coisas estranhas.
- Mas qual é o problema?
- Parece que quando carrego no Play sobre uma música, ele vai parar a outra música de outra banda.
- Mas pode dar-me um exemplo? Não estou a perceber.
- Por exemplo, hoje carreguei no “My Sun” dos The Gift e comecei a ouvir Arcade Fire. É grave? Até estou a ouvir uma voz de homem a cantar e tudo.
- Hum.. não me parece que seja um problema informático .
- Espere! Afinal é mesmo The Gift. Desculpe. Está tudo bem.
- Não faz mal.
- Adeus Boa tarde


E é neste momento que penso como foi a escolha do alinhamento de envio das músicas. Quem é que pensou enviar-me a My Sun agora, depois da Mermaid Song? Eu que já estava novamente aberta ao mundo Gift. Hum...
Afinal os The Gift estão a obrigar-me a seguir o alinhamento deles. E o meu próprio alinhamento do álbum ? E se não me apetecer seguir o mesmo caminho. Posso ? Obrigada.
Ter ouvido a The Singles e a Mermaid Song antes da My Sun condicionou a minha audição da My Sun, sem duvida.

Resumindo, há musicas que nos passam ao lado.
A My Sun foi uma dessas. Ouvi uma vez e pus ali num canto da casa, mas está bem arrumadinha. Vou tentar de vez em quando é tirar o pó de cima dela. Um dia é de pegar nela novamente, mas hoje não será de certeza. Nem tudo é perfeito na vida. E ainda bem.




2 de março de 2011

Mermaid Song por Andrégift

Vou começar pelo fim. Durante o dia de hoje escutei as 3 músicas uma série de vezes. Quero ter a certeza do que digo sobre as músicas dos Gift e expressar o que elas me transmitem. Reparo que é injusto, para todos nós que aqui escrevemos, avaliar uma música apenas com um dia de audição. Senti isso hoje. A música "The Singles" soou-me estranha, muitas músicas dentro de uma só, muitos ritmos diferentes...
Ouvia hoje e o sentimento foi totalmente diferente. Gostei de toda a diferença que existe na melodia e, sim, reconheci os Gift em muitas partes da música. Com a RGB o sentimento pernamece. Foi amor à primeira escuta!!! :)

Em relação à terceira música: Chegou mais cedo, pelo menos ao meu e-mail. Os primeiros acordos levam-me a viajar. Depois apercebo-me que estou em Oriente. Nesta "Mermaid Song" sinto a India por todo o meu corpo. Transmite-me calma, serenidade, pela forma como é cantada pela Sónia e pelo Nuno (julgo ser ele)!!!Vejo-me a tomar um chá envolto num silêncio apaziguador.

Ao terceiro dia o balanço é mais do que positivo. As músicas surpeendem-me a cada dia e de cada vez que as escuto descubro novas particularidades. Por hoje é tudo. Amanhã mais uma descoberta, mais um novo som para nos encher a alma...








Mermaid Song por Crisanto

Esta música não é para homens complexados.

É uma música para delicada e é para ser deliciosamente devorada do princípio ao fim (nem sei se isto é bom português). Tipicamente doce, tem uma dose de sonho. Há muito tempo que não ouvia nada tão bonito, sim bonito, no verdadeiro sentido da palavra. É daquelas músicas para ouvirmos a sós, namorando o nosso ego. Fui completamente embalado sempre que a ouvi. Não é para partilhar, é para guardar e não contar a ninguém que ela existe.
Como não sou um homem complexado posso dizer, não me importei de ser embalado por uma voz masculina. Esta música também deveria ter pelo menos 12 minutos.

Para acabar gostava de dizer mais uma coisa:
Eu fui muito crítico dos últimos trabalhos dos Gift, da mesma forma venho aqui dizer que estou completamente rendido a “eles” novamente. Estou mesmo, mas mesmo feliz. Por mim, por nós, e por eles. Conseguiram-me arrebatar novamente, e que saudades eu tinha disso.
Tenho 1,85, tenho 90 kilos, 32 anos e pareço um puto a cada música nova que recebo.

Obrigado.






Mermaid Song por Marcos

“Mermaid Song” começa. Uma atmosfera mais introspectiva. Um universo cósmico. A voz de Sónia Tavares surge. O registo é diferente. Pausa. (Ouço com atenção.) A linha melódica é constante. Não me parece haver variações. Aqui e ali, um interlúdio mais experimental. O ritmo mantém-se. Sinto a falta de uma explosão. Uma reviravolta. Outra emoção. “Mermaid Song” acaba. Para já, estranhei. Não me vou precipitar. Vou amadurecer a minha opinião.

Play again…

Vai-se entranhado. Pouco a pouco. Mas ainda a estranho. Continuo a sentir falta de algo…

Play again…

Fecho os olhos. Sinto-me embalado. A voz sussurra-me ao ouvido. Entranha-se mais. Já compreendo “Mermaid Song”. A cada audição compreendo-a cada vez mais. Uma canção de embalar. Um murmúrio. Acho que a melodia já me entrou no ouvido.

Play again…

Sim, já.






Mermaid Song por Geminus

Numa sala vazia negra és um ponto branco brilhante crescente no centro, como se tivesses roubado toda a luz deste espaço. Qual bailarina numa caixa de música, giras e rodopias a encantar-me com a tua graça desajeitada, mas perfeita. Dás passos para mim e retrocedes em jeito de provocação. E sorris, de braços abertos e ondulantes, convidativos. Invisível, deixo envolver-me na tua dança e permito que os teus braços de mármore abracem o meu corpo, para que te acompanhe…

O preto e o branco têm lugar num álbum a cores. E sabe tão bem…






Mermaid Song por Even_Flow

She’s got a mermaid heart

Azul! Azul, azul, azul. Aquele azul tão azul como uma onda do mar que entra dentro de nós. O azul dos sorrisos molhados, do sal a secar na pele, dos olhos a brilhar de prazer. O azul dos gritos, por dentro e por fora, e dos risos eternos. O azul das pegadas na areia, da brisa morna, como que um suspiro contínuo, um suspiro descontraído enroscado em si mesmo. O azul dos golfinhos contra a rebentação.

O azul gordo e quente, salpicado de estrelas, nas noites sem luar. O azul de uma guitarra que se ouve ao fundo, sempre com a mesma melodia, sempre com a mesma cadência, tão suave que podia ser parte de um sonho. O azul dos dias que passam sem pressa e se vão espreguiçando. O azul que esconde um mundo de silêncio e de mistério, de bolhas que rebentam, de milhares de cores camufladas, de uma vida que parece quase etérea. O azul da imaginação sem limites, dos sonhos a voar em nuvens, dos segredos, das antecipações. O azul dos desejos, dos mais profundos e arrebatadores desejos. O azul confortável e seguro, onde apetece ficar para sempre, como que berço recuperado. O azul dos air e o azul do ar. O azul dos detalhes e dos grandes planos. O azul que acorda e o azul que embala.

Azul! Azul, azul, azul.







Mermaid Song por LaFolie

Um dia hei-de ser adulta.

Hoje dei conta que sou a pessoa mais velha aqui. Não é por acaso que falo disso ao som desta música. Não é por acaso, não. 34 anos. Acreditem, é verdade. Na minha cabeça ainda tenho, sei lá, 20 anos. Algum dia passei os 30 ? Isso é mentira, só pode. Algum dia serei uma pessoa adulta ? Não, e não quero ser, obrigada, mas deixo isso para os outros. Deixem-me com as minhas loucuras por favor, com os meus sonhos, aqueles que tinha quando tinha 15 anos e que o mundo era meu. Deixem-me seguir o que o meu coração diz.

Ao som da música, hoje ainda tenho muito menos. Estou nos braços da mulher mais importante da minha vida, a única que sabe realmente quem sou.

Mãe, prometo, um dia hei-de ser adulta, mas antes disso canta-me uma música para eu adormecer por favor. Que o mundo lá fora é muito feio.
E já agora mãe, podes cantar-me aquela música? Sabes, aquela que gosto muito. Sim é essa. A Mermaid Song .

Um dia hei-de ser adulta. Prometo.






Mermaid Song por Keep Breathing

Ouvi esta música como deve ser ouvida: de frente para o mar e muito perto da sereia. Há pouco mais de seis anos os The Gift lançavam o AM-FM e, quase em simultâneo, começava algures uma estranha relação onde alguém jurava ao outro não amor eterno, mas apenas “I will keep my helmet on”… por medo… por pressentimento… porque era fácil saber como seria o princípio, o meio… e o fim… Mas depois, pouco tempo depois, o medo desapareceu e, com ele, foi-se toda a protecção… I did’t get my life cause I thought I would be your life! Erra-se tantas vezes no espaço de uma só vida... E sabia que não se devia ter atirado ao mar! Agora não lhe resta nada senão afogar-se… Porque no fim, neste fim, percebe que foi tudo um lindo canto… mas de sereia... Tal como previra.







Mermaid Song por Cube


São miguel (Mosteiros) - Agosto 2002


Mermaid Song por Mariana Oliveira

Mermaid Song por Jumpman

Estava na minha ronda final entre as minhas páginas favoritas e reparei que tinham escrito no fórum que já estava disponível uma nova música. Mais cedo que o habitual, mas sem dúvida uma excelente altura para descobrir mais uma música.

O ambiente à volta desta nova música é diferente. As duas primeiras tinham sido ouvidas e assimiladas no trabalho, enquanto esta seria ouvida num ambiente mais calmo e pessoal. A casa estava silenciosa e assim estavam criadas as condições ideais para absorver tudo.

Soltei um sorriso, a música começa como que se de uma canção de embalar se tratasse e como se tudo se tivesse alinhado para que ouvisse a música neste preciso momento, neste sítio exacto. Gosto do registo, da batida no fundo e como as vozes se apresentam. Aumento ainda mais o som e sinto os ritmos a atravessarem-me o cérebro. Fecho os olhos e o meu corpo balança. Novamente passam-me imagens pela cabeça, imagens a dois num cenário único. A batida acentua-se, a canção de embalar transforma-se e sabe bem. Sabe muito bem. Há músicas que não precisam de muitas palavras, esta é uma delas. Simplesmente.. acontece. Bravo.

Acabou. Bela experiência sensorial antes de ir dormir, aconchegou-me a alma. Não carrego no play novamente como fiz com as outras, uma audição bastou. Desligo tudo e vou dormir. Sabe bem acabar assim o dia.


"At the end we're one, the same."






Mermaid Song por SoFree



Não escolhi esta foto apenas por se tratar de uma imagem do rio ou pelo azul intenso, mas também por ser uma em que me afasto da cidade. "O que é isto?", pensei assim que ouvi os primeiros versos. A voz parecia-me contrastar demasiado com a calma melodia de fundo... até que entra o coro. Wow, eles fizeram isto?!

Ouvir pela primeira vez suscitou-me apenas a frase "esta música passava em Serralves". Imaginei todo um espectáculo de projecção de luz branca em tecidos azuis (e mais nada). Ou um vídeo animado em que uma sereia desenhada a branco sobre um papel azul amarrotado levanta e pousa continuamente a barbatana. Minimalista e conceptual, mas definitivamente afastado do que pode ser considerado "mainstream". Aliás, mais afastado do que qualquer outra música da banda lançada depois do Film. E assim volto à foto acima... confesso que estava à procura de imagens estranhas. Mas esta fez-me todo o sentido assim que a vi.

Se gostei da música? Bem, adorei os jogos sonoros. Transmite-me uma experiência bastante sensorial, até visual. É, das 3 primeiras músicas, a que mais estou curioso para ver e ouvir ao vivo no Tivoli, por todo o potencial para a vertente teatral. É perfeita para se ouvir durante a noite, de olhos fechados. E não imagino como será de dia, na rua ou no metro, no meio da multidão... mas imagino como será se a multidão ouvir esta música.

Esta noite, deito-me com o pensamento de como seria a banda tocar a "Mermaid Song" numa feira agrícola deste país.